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Amanhã Nunca Mais




Amanhã Nunca Mais

Trabalhar com algum tema relacionado ao tempo é, quase sempre, uma tarefa delicada. Trabalhar com o tempo sem querer um resultado caricato, impondo uma humanidade indispensável para a credibilidade da obra é, sem dúvida, ainda mais complicado. Aí você percebe que tem em mãos uma comédia dramática e passa a acreditar que apenas Ethan Hunt e sua equipe podem tornar esse trabalho algo de grande valor.

Em Amanhã Nunca Mais, há alguns fatores que indicam a presença do improvável (ou impossível). Lázaro Ramos, em uma ótima atuação, comprova, novamente, ser um ator de grande talento (especialmente quando exposto ao papel certo) e é o ponto mais forte do longa. Além, as situações que beiram o humor negro dão alguma leveza a uma narrativa tão palpável que tudo parece contribuir para uma aceitação menos inquieta do público.

Pois bem... essa aceitação não é muito bem digerida. O roteiro, como é comum nas comédias recentes (nacionais ou não), comete o erro irritante das piadas repetitivas, o que afasta, em alguns momentos, o espectador. O ápice do filme, uma certa justiça manifestada por Walter (Ramos), surge sem torcida devido ao ritmo descompassado do diretor Tadeu Jungle e, essa que deveria ser uma virada de ato surpreendente, transforma-se, assim, num ponto alto frouxo que consegue, somente, indicar o caminho para o fim.

A parte técnica é competente. Isso é um fator positivo que auxilia (e muito) o progresso da história. A fotografia consegue, com detalhes acentuados, desenhar uma realidade que deve atingir fácil uma boa parte da plateia. A névoa (quase subjetiva) rala que segue o protagonista em seus momentos difíceis é fundamental até a sua dissipação e a cor assombreada da coxa de galinha oferecida na praia é quase alarmante (chamem o Lineu!). A música de Arnaldo Antunes segue o personagem principal muito de perto. Sua inércia parece formar um par com Walter e sua passividade diante das peculiaridades que passa.

Mas (como todo clichê que se preze), Amanhã Nunca Mais escolheu o lado errado da força. Enquanto o mais contundente, real e tocante seria se tornar um Sith, Jungle (que também co-escreveu o roteiro) preferiu treinar seu filho para ser um Jedi. Desviando a criança do seu verdadeiro talento por uma imposição comercial, o menino definhou. Walter, o anestesista anestesiado pela rotina, merecia um final previsível, sim, mas forte.

A eficácia moralista desse filme é ingênua. Seu caráter real e camuflado pelos realizadores é amoral. E tudo deriva para um final de previsibilidade genérica.

Bons e ruins filmes para nós!

Saiba mais sobre o filme Amanhã Nunca Mais.

Por Sihan Felix - @sihanfelix


Nota:

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