CRÍTICAS


Amor Sem Escalas (1)




Todos aqueles que conhecem bem o mundo executivo sabe que cartões de fidelização de clientes tanto de companhias aéreas, hotéis ou aluguel de automóveis são bem mais que um programa de fidelidade que premia seus clientes com passagens aéreas ou descontos em hotéis e assinaturas de revistas. O serviço oferece a possibilidade de ser membro de um clube seleto de pessoas, ou mais ainda, ser considerado um ser humano mais importante que os outros. Em Amor Sem Escalas (Up The Air,2009), George Clooney interpreta um desses seres humanos, um executivo bem sucedido, que amar viver voando de uma cidade para outra, sem nenhum tipo de relação com outras pessoas, sendo pago para demitir funcionários de empresas em recessão.

Realizado por Jason Reitman, do ótimo Juno, o filme se passa em diversas cidades americanas acompanhando os passos de Ryan Bingham em sua árdua função, que na verdade é exercida de forma competente, tanto que o personagem se entitula como um verdadeiro tubarão, que se alimenta do emprego de pobres funcionários que passam por cortes. Eis que a  crise internacional ganha proporções tão grandes quanto as da quebra da bolsa de valores de 1929, fazendo com que não falte trabalho para Ryan, entretanto a jovem Natalie Keener (Anna Kendrick), uma jovem executiva recém saída da universidade, entrará no caminho do protagonista,  implementando uma nova ferramenta em sua empresa: Demissões via vídeo conferência. Este artifício colocará não só o emprego de Ryan em perigo, mas também todo seu estilo de vida.

O roteiro  retoma a abordagem sobre seres humanos que atuam em empregos de moral discutível, feita pelo mesmo diretor em Obrigado por Fumar, que mostrava o cotidiano de Nick Naylor, porta-voz de uma das grandes empresas da industria do tabaco, que assim como o executivo de Amor sem escalas, é odiado por todos, pois vive as custas da desgraça dos outros, mesmo não encarando seu ofício desta forma e  procurando sempre ver o lado bom de seu trabalho.

Porém desta vez o diretor investe menos no tom sarcástico característico da produção de 2006, apostando em uma reflexão mais existencialista que fala sobre a dualidade entre trabalho e vida pessoal.O resultado é um roteiro impecável, assinado pelo próprio diretor em parceria com Sheldon Turner, possui diálogos excelentes e narrativa atraente é diversão garantida. Tanto que com apenas 10 minutos de projeção é impossível tirar os olhos da tela, pois além da trama principal focada no cotidiano de Ryan e seu discutível emprego, as tramas paralelas são ótimas. Tanto no relacionamento de Ryan com Alex (Vera Farmiga), quanto o casamento da irmã do protagonista,  que rendem desfechos formidáveis ganhando até mais destaque que a própria trama principal.

George Clooney por sua vez está melhor do que nunca, muito convincente em sua atuação como executivo solitário, que mais parece Peter Fonda em Easy Rider, que ao invés de  motoqueiro é um assíduo passageiro de companhia aérea.

Há muitas formas de enquadrar Amor sem escalas em vários gêneros, mas com certeza não em um filme de amor do qual o péssimo título em português sugere, fica a pergunta se a pessoa que traduziu para o português havia visto o filme. Fora isto não há muitos defeitos na fita, toda ela realizada com muita competência pelo promissor diretor de apenas 33 anos, que vem conquistando um lugar no primeiro escalão de Hollywood.


Saiba mais sobre o filme Amor Sem Escalas

Por Bruno Marques - http://brunocine.wordpress.com


Nota:

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