CRÍTICAS


Amor Sem Escalas (2)




Amor Sem Escalas
(Up in the Air)  é sobre Ryan Bingham (George Clooney), um homem que praticamente não tem um escritório, gasta a maior parte de sua existência enfunado em aviões viajando por todos os cantos dos Estados Unidos. A sua missão é demitir funcionários de diversas empresas e, como o seu trabalho necessita de frieza, Clooney interpreta um cara cínico, indiferente e que jamais percebe que não é apenas os outros que estão indo para o buraco, aos poucos ele também está. Em suas palestras, Ryan usa uma mala como metáfora para explicar a existência das pessoas e o peso dos ideais que carrega em suas costas.

Para o protagonista, tudo está ótimo, ele curte ao máximo o que faz, saboreia os momentos com muito desbunde e se orgulha das milhas aéreas que acumula passando a vida nas alturas. Só que tudo começa a complicar quando o seu patrão contrata a ambiciosa Natalie Keener (Anna Kendrick). A jovem propõem logo de início um plano para reduzir os custos: agora os avisos de demissão não seriam mais feitos presencialmente, e sim através da internet abolindo de vez a necessidade de longas viagens.

Pronto. Todo aquele prazer que Ryan desfrutou durante sua carreira estava ameaçado e para piorar: ele é obrigado a percorrer o país na companhia de Natalie para deixá-la hábil nas sutilezas em como se dar uma péssima notícia sem ser um total incoveniente. Natalie começa a sentir na pele a contradição: enquanto a sua carreira começa a ter picos, a dos outros começa a cair. Paralelo a isso, há a sensual Alex Goran (Vera Farmiga), que mantém uma relação amorosa com Ryan. Junta, a dupla vive momentos felizes sem comprometimento e marcam encontros em lugares distantes como se fossem um jovem casal, combinando um passeio na pracinha de uma cidade do interior.

Ryan, depois do casamento de sua irmã, sente que tudo aquilo que viveu até então não tem um valor real e suas memórias são confinadas em um meio de transporte. Tardiamente, sente que suas possibilidades de felicidade estão se esgotando e que corre um sério risco de ter um futuro solitário e desolador. O longa é baseado no romance publicado em 2001 pelo escritor norte-americano Walter Kirn. O diretor Jason Reitman (Obrigado por Fumar e Juno) conseguiu de uma maneira interessante e divertida contar uma história que, entre cenas de sarcasmo e sentimentalismo, mostra o espírito triste da ansiedade humana em atingir o status sem se preocupar com o mundo que o rodeia, tudo isso sem abusar dos clichês.

Saiba mais sobre o filme Amor Sem Escalas


Por Jean Garnier.


Nota:

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