Cirque du Soleil - Outros Mundos 3D

Publicada em 05/03/2013 às 11:24

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Cirque du Soleil - Outros Mundos 3D
É um desafio e uma provocação, a ideia de escrever sobre Cirque du Soleil - Outros Mundos 3D como sendo um... filme. Mesmo que o roteiro, claramente, dissolva Lewis Carroll e um pouco da Divina Comédia (especialmente, o Inferno e a busca de Dante pela salvação em um imaginável rio dos mortos), a narrativa é frouxa e, como poderia ser esperado, loca-se nas belas apresentações de um circo vivo e, na prática, já lendário.
 
Tendo os seus protagonistas como meros coadjuvantes ou, em outro pensamento, como guias, a história se desenvolve sem qualquer coerência, pois a meta, na verdade (e isso fica bem claro) é apresentar, numa dose homeopática, diversos números da trupe sem se arriscar num contexto mais intrincado.
 
Se, em alguns momentos, a percepção que nos cabe é observar tudo como se estivéssemos de posse dos olhos de Mia (Erica Linz) ou do Acrobata Aéreo (Igor Zaripov), a lógica se perde quando sequências em outros planos (espaçados) se seguem enquanto a moça e o artista são esquecidos (ou quase isso).
 
O 3D, que poderia ter um caráter imersivo contundente, satisfaz-se por, somente, aprofundar as cenas e, infelizmente, escurecer outras carentes de luz. Tudo se desenvolve como um sonho psicodélico e surreal onde não se faz necessária a presença do sonhador, o que torna tudo mais estranho (em se tratando de cinema).
 
Mas é claro que lógica e coerência narrativa numa obra que presenteia aqueles que nunca tiveram a oportunidade de experimentar ao vivo o show (como eu) parecem inexistir quando a perfeição dos artistas faz funcionar esquetes incríveis, onde apresentações e lutas em plataformas verticais são embaladas por trilhas distintas em cada tenda que entramos (os outros mundos do título).
 
Se as músicas são condizentes com o que é visto, tendo espaço, inclusive, para um mundo Beatles, a direção do Andrew Adamson é limitada e se coloca como a maior responsável pelas falhas comentadas. Filmando a maior parte dos noventa e um minutos com um olhar teatral sólido, ele só se permite uma fuga à liberdade cinematográfica quando se utiliza dos tantos recursos ao seu alcance para garantir a coerência entre a lua vista pelo Acrobata e um belo número em um aquário (em exemplos raros – aqui – de raccord).
 
É um desafio (por não ser, exatamente, um filme) e uma provocação (por eu nunca ter presenciado um espetáculo ao vivo) escrever sobre Cirque du Soleil - Outros Mundos 3D como sendo um filme. Mas não é um desafio o assistir. Apesar de qualquer pesar, o espetáculo visual vale (muito) a pena... mesmo que tudo seja, somente, um comercial alongado do que é, na prática, o Cirque du Soleil.
 
No mais: seria (ao meu ver) tão mais bonito se tudo permanecesse figurado e imageticamente imaculado. O beijo final me parece dispensável.
 
 
por Sihan Felix - @sihanfelix

Comentários (2)

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Jaildo Tavares comentou: os efeitos 3d horrível 15/07/2013 | Responder

Jaildo Tavares comentou: horrivel,pode der melhor 15/07/2013 | Responder