Crítica: A Chegada

Publicada em 28/11/2016 às 15:12

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A Chegada é um filme que vai além do que o gênero se propõe e isso é formidável.
 
O que você faria se avistasse de sua janela uma enorme nave em formato de concha pairando sobre o ar? É nessa perspectiva, elevando ao mais alto nível de realidade, que o diretor Denis Villeneuve, de Sicario - Terra de Ninguém (2015), conduz o longa, fazendo com que o espectador se sinta parte de todo o acontecimento.
 
Em A Chegada, doze naves em formato de Concha pousam na Terra em diferentes locais ao redor do globo e o que preocupa a todos os governos é que estas não se comunicam com os humanos. É quando a reconhecida linguista Dr. Louise Banks (Amy Adams) é convocada para tentar descobrir o real propósito da vinda dos alienígenas. 
 
 
A partir desse momento outro especialista que pode ajudar a doutora se junta ao grupo, o físico teórico Ian Donnelly (Jeremy Renner). Juntos, eles precisam descobrir a resposta para a pergunta: “O que vocês querem? Mas passam a enfrentar uma série de desafios, desde o primeiro contato quando entram na nave até começarem a descobrir de que forma os aliens se comunicam.
 
Villeneuve é conhecido por criar uma ambientação de tensão em suas produções, e aqui não é diferente, afinal, o planeta inteiro está em pânico por não entender o porquê das naves estarem ali. O suspense se cria mais facilmente diante de uma trilha sonora tão forte em momentos decisivos, provocando a tensão necessária para prender o espectador do começo ao fim.
 
Mas a grande surpresa do filme fica pela narrativa calma e poética. Um dos personagens tem constantes lapsos de memórias, que são jogados entre uma cena e outra fazendo parecer uma coisa, mas que no último ato é esclarecido de forma magistral.
 
 
Entre paisagens deslumbrantes e uma fotografia de tons pálidos, debates sobre comportamento geopolítico e humano chamam atenção e fazem com que nos questionemos sobre como uma simples frase reverbere diversas interpretações, podendo causar decisões caóticas que talvez levem a uma guerra sem fim.
 
É nesse ponto que a interpretação calma de Adams se torna a alma do longa, sendo impecável. Vemos a atriz tão segura de seu papel, entregando uma sutileza digna em seu subtexto, causando ainda mais reflexões sobre a vida. Renner complementa de forma saudável e contribui muito bem para um equilíbrio entre as duas ciências.
 
A Chegada convida o espectador a pensar, a refletir sobre como lidar com o desconhecido. Será que nossos líderes entrariam em algum acordo ao lidar com uma força desconhecida como uma invasão alienígena? Você aceitaria viver uma vida sabendo o quão duro será seu futuro? Questionamentos como estes e muitos outros nos levam a conclusão de que A Chegada é um filme que transcende, entrando no hall de seletas obras que servirão de referência para a ficção científica dos próximos anos.
 
 
Nota: 10/10
 
Por Stenio Ribeiro

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