
Parecia que este ano estava perdido para o cinema europeu, já que poucos bons filme foram realizados em 2009. Não consigo lembrar de nada mais relevante que A Fita Branca de Michel Haneke e Anticristo de Lars Von Trier. Mas, eis que aos 45 minutos do segundo tempo surge uma luz no fim do túnel: Éden à Oeste (Eden a L’Ouest, 2009) novo filme do mestre Constantin Costa-Gavras, que volta as telas mais antenado que nunca no que diz respeito ao cenário político mundial.
Sua fase atual está mais para crítico dos efeitos colaterais do capitalismo, do que propriamente denúncia política, já que o diretor esgotou esse tipo de abordagem após ter realizado alguns dos maiores filmes do gênero, como Z, Desaparecido e Estado de Sítio. Éden à Oeste revela um diretor mais lúdico e bem humorado, tanto que Costa-Gavras se permite até inserir pitadas de fantasia no final da palícula.
O roteiro (como sempre primoroso) conta a história de Elias, um jovem imigrante de país não revelado, que tenta chegar a Paris ou uma espécie de paraíso como o título sugere, para tentar ganhar o pão nosso de cada dia. Em seu caminho muitos conflitos e perseguições, que revelam a triste condição de imigrante em um país tão hostil como a França.
Elias, vivido pelo ator italiano Riccardo Scamarcio de Meu irmão é filho único, é uma espécie de Carlitos pós-moderno, pois assim como Charles Chaplin em Tempos Modernos, o ator passa grande parte do filme mudo, já que não dominar o francês. Outra clara semelhança com o personagem é a forma como ele enfrenta as inimizade de autoridades e da população de forma criativa e indiferente.
Mesmo sendo um filme descontraído na maior parte do tempo, a produção também conta com algumas cenas fortes, em uma delas Elias é obrigado a desobstruir o cano de uma privada sem o uso de desentupidor. Além de algumas metáforas cruéis, como na cena em que Elias é jogado dentro de uma privada em um número de mágica ou a forma como todos querem se aproveitar do personagem, visando ganho financeiro ou realizações sexuais.
Segundo o diretor em entrevista concedida durante o festival de recife, Costa Gavras declarou ter tentado reproduzir o problema sobre a imigração de forma menos dramática que em alguma produções atuais como Código Desconhecido e Entre os Muros da Escola, ambos filmes de nacionalidade francesa. Na mesma entrevista o diretor resumiu: “Jacques Tati dizia que não precisava de gags para fazer comédia, bastava olhar para a sociedade”.
Enfim, Éden à Oeste pode não ser tão impactante quanto seus filmes antigos, porém a forma como Costa-Gavras trabalha as oscilações dos níveis de tensão continua a mesma de sempre, porém ao invés de só tencionar a platéia agora o diretor também faz rir um bocado.
Por Bruno Marques - http://brunocine.wordpress.com
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