CRÍTICAS


Julie & Julia




Acredito que a diretora Nora Ephron não tenha tido muitas dificuldade para adaptar o livro Julie & Julia para o cinema, pois a história escrita por Julie Powell segue a mesma  linha dramática que a roteirista e diretora se acostumou a realizar desde seu primeiro (e excelente) roteiro: “Harry e Sally - Feitos um para o outro”. Tramas leves,  com cara de filme auto-ajuda, que o público, principalmente as mulheres, adora assistir.

O roteiro e o livro, giram em torno da vida da própria autora do romance. A partir das semanas que precedem seu aniversário de 30 anos de idade, Julie (Amy Adams), está confusa frente sua nova realidade de mulher “balzaquiana”. Trabalhando em um telemarketing sem grandes perspectivas, além de acompanhar a ascensão social de suas amigas, a moça resolve dar um sentido para sua existência ao tentar realizar em 365 dias as 524 receitas do clássico livro “Desvendando a Arte da Cozinha Francesa”, escrito pela cozinheira  e apresentadora de Tv americana: Julia Child. Enquanto realiza seu projeto, Julie posta em um blog a preparação e o resultado de cada um dos pratos. Em pouco tempo seu diário eletrônico se transforma em um grande sucesso da internet.

Paralelamente aos acontecimento da vida da “blogueira”,  é apresentado o cotidiano da própria Julie Child (Meryl Streep), desde sua chegada a França no fim dos anos 40, até a publicação do livro que a consagrou nos Estados Unidos. Mostrando a transformação da ociosa mulher de um diplomata americano, na lendária apresentadora de TV.

O filme procura evidenciar as muitas semelhanças entre as duas personagens, desde a vida pessoal de ambas, suas indecisões e principalmente a força de vontade das duas mulheres. A fita faz uso de uma montagem muito inteligente para entrelaçar as duas histórias , lembrando  bastante o método utilizado no excelente filme As Horas, dirigido por Stephen Daldry, e que também contou com participação de  Meryl Streep.

A propósito,  Meryl Streep é o tempero que da gosto ao filme de Nora Ephron. É incrível o quanto a atriz é versátil. Sua atuação é arrepiante, principalmente para quem já viu a figura da verdadeira  Julie Child. Todos os pequenos detalhes foram incorporados a construção do personagem. Por isso, sua parte da história acaba ganhando mais destaque que os da apagada “blogueira” Julie.

Recentemente  as mesmas Amy Adams e Meryl Streep contracenaram juntas na ótima produção Dúvida de 2008, nele a atuação das duas esteve nivelada grande parte do tempo, diferentemente de Julie & Julia em que a veterana acaba sobressaindo.

No fim das contas Julie & Julia consegue ser um ótimo drama feminino, mesmo sendo previsível como quase todas as produções do gênero. Acredito que talvez tenha sido esta pretensão da diretora, realizar um filme não muito diferente dos clássicos filmes “sessão da tarde”. Porém, Meryl Streep acabou  roubando a cena novamente, transformando o filme em um produto melhor que a encomenda.

Saiba mais sobre o filme Julie & Julia

Por Bruno Marques   (meunomeebruno@bol.com.br)


Nota:

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