
No final dos anos 50 o cinema Hollywood entrou em grande crise, por conta da pouca arrecadação dos filmes produzidos por lá, fazendo com que os grandes estúdios perdessem seu poder de atração em todo mundo. O principal fator que contribuiu para o esvaimento das salas, foi que o modelo norte-americano de se fazer cinema gradativamente foi se tornando obsoleto ao longo dos anos, e mesmo com os esforços dos grandes estúdios, este modelo não conseguia se reinventar. Simultaneamente em outras partes do globo terrestre surgiam movimentos cinematográficos que contestavam esse modelo, dentre eles a Nouvelle Vague francesa e o cinema novo brasileiro. O tempo então fez com que a hegemonia americana voltasse a dominar o mercado, mesmo assim, de tempos em tempos surge um novo pólo que ameaça este grande império cinematográfico.
Atualmente o cinema asiático, principalmente as produções vindas da Coréia do Sul, são os grandes vilões dos estúdios da “terra do Tio Sam”. Mother (Madeo,2009) é um bom exemplo de como a industria de cinema naquele país conseguiu se desenvolver com suas próprias pernas, seguindo a risca o modo clássico de se fazer filmes comerciais, porém, com grandes inovações técnicas.
O filme é dirigido por Joon-ho Bong, diretor do “clássico contemporâneo”: O Hospedeiro, além de participação no recente Tokyo!. Conta a história da luta de uma mãe que tenta provar a inocência de seu filho deficiente, após a misteriosa morte de uma menina no bairro em vivem.
Kim Hye-já (equivalente a uma Fernanda Montenegro Coreana), interpreta a mãe em questão. Sua atuação é fenomenal. Não é possível que não vão dar todos os Oscars, globos de ouro, Kikitos e raspadinhas premiadas para esta mulher. Já que sua performance é de extrema polivalência , seu personagem caminha por diversas direções para formar o quebra-cabeça que explique o que ocorreu no dia do assassinato. As vezes ela é uma humilde senhora vendedora de plantas medicinais, já em outros momentos ela atua a margem da sociedade, como por exemplo, tentando manipular as provas do crime. Durante o filme não sabemos se amamos ou odiamos a personagem título, tamanha é a mutação de seu personagem durante os 120 minutos de projeção.
Mesmo com atuação visceral de Kim Hye-Já, o filme também tem espaço para Joon-ho Bong mostrar seu talento. Sua câmera exerce grande autonomia durante o filme, não tendo apenas a função de seguir os atores em cena, além de estar sempre pronta a apresentar os ângulos mais improváveis das ações.
Outro grande mérito do filme é a forma como o suspense é construído, flui tão bem que quase lembra uma sucessão de pequenas notas musicais, como se estas cenas formassem uma deliciosa sinfonia, onde ao invés de som, produzem o frio que congela a espinha de quem acompanha a trama.
Acredito que neste ano de 2009, o cinema Sul-Coreano mais uma vez se reafirmou como um pólo exportador de filmes que veio para ficar, se ainda não compete de igual para igual com os filmes americanos, acredito que ano após ano o país vai construindo terreno para ganhar mais espaço gradativamente. Acredito que Mother seja o melhor filme produzido por aquelas bandas este ano, mesmo tendo concorrentes de peso como : Sede de Sangue e O Caçador. Hollywood é que se cuide.
Saiba mais sobre o filme Mother.
Por Bruno Marques (meunomeebruno@bol.com.br)
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