Quanto Mais Quente Melhor

Publicada em 08/08/2012 às 21:08

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quanto mais quente melhor
 
Quanto Mais Quente Melhor foi uma aposta arriscada. Billy Wilder, enormemente reconhecido pelo noir Pacto de Sangue, tentou reproduzir a fórmula da comédia sarcástica, astuta e inteligente aliado ao carisma sexual de Marilyn Monroe. Equação que já havia tentando empregar em O Pecado Mora ao Lado.
Dessa primeira tentativa, pouco restou além do registro da beleza da grande diva da década de 1950, que tem o vestido negligentemente levantado na cena que posteriormente a imortalizou. Marilyn ainda não era suficientemente talentosa, enquanto o filme não era suficientemente audacioso e cômico.
 
A segunda tentativa emprega com a perspicácia necessária todo o atrevimento almejado pelo diretor. Com uma Marilyn profissionalmente mais madura e um roteiro fértil (que serviu de excelente base para a filmagem antes mesmo de ser concluído), Wilder foi capaz de engendrar uma das melhores comédias de todos os tempos.
 
O que torna essa excelente comédia um marco é, certamente, o fato de quebrar diversas barreiras de conceitos pré-estabelecidos e, com tamanho pioneirismo, ainda ser capaz de expor questões e realidades de uma época sem hipócrita mesura.
 
Violência descaracterizada e travestismo. Sem esses elementos, Quanto Mais Quente Melhor não teria transposto os limites dos bons costumes. A exposição de tais informações ainda era, na época, um escândalo de grande escala. Ademais, o diretor e roteirista pôs sua cabeça a prêmio ao introduzir em um filme cômico um dos acontecimentos mais chocantes da época: o Massacre do Dia de São Valentim.
 
Com uma fotografia propositalmente em preto e branco, Wilder suavizou a transformação dos protagonistas em mulheres. Segundo a equipe, a maquiagem excessiva, se estivesse em tecnicolor, não teria o efeito efeminado que desejavam, podendo causar, no público (ainda não acostumado com esse tipo de transformismo), uma impressão de grotesco. No ano seguinte, Alfred Hitchcock utilizaria a mesma tática, uma vez que o público não estava preparado para ver, em cores, a quantidade de sangue mostrada em Psicose.
 
Marilyn Monroe, apesar de maldosamente rotulada por alguns como a típica “loira burra”, possuía um talento ímpar (ausente em muitas belas que tentam o status contemporâneo de Monroes), lapidado com esmero nessa película. Não apenas um ícone sexual, mas um ícone sexual capaz de somar qualidade e não somente adornar sequências de planos.
 
A genialidade de Wilder, em parceria com a sagacidade de I.A.L. Diamond, foi capaz de arrecadar risos de inúmeras gerações, que venceram preconceitos. Sem, em momento algum criar situações vulgares ou personagens caricatos, o longa presenteou o cinema, enquanto arte, com uma obra inesquecível e que, não importa quantas vezes a fórmula seja repetida, jamais poderá ser tachada de clichê.
 
 
Por Laísa Trojaike

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Isabel Quiteria comentou: achei da hora gostei 06/10/2012 | Responder