CRÍTICAS


Se Beber, Não Case


Se Beber não case

Fazia algum tempo que não assistia a uma boa comédia politicamente incorreta.Talvez o britânico Borat:O segundo melhor repórter do glorioso País Cazaquistão viaja à América, realizado em 2006, tenha sido o último filme desse gênero que conseguiu arrancar algumas boas gargalhadas. Passados três anos  desde de seu lançamento, Se Beber, não case (The Hangover,2009) foi a chuva de risos que molhou o meu deserto de indiferença, causado pelo número cada vez menor de filmes engraçados que chegam aos cinemas.

O enredo conta a história de quatro amigos que vão para Las Vegas com o intuito de realizar uma histórica despedida de solteiro. Já na primeira noite, os quatro saem para a farra e passam do ponto.

No dia seguinte, três deles acordam no quarto do hotel submersos no mundo da ressaca, o lugar está completamente desarrumado, com direito a galinha andando pela sala, bebê preso no armário e um tigre no banheiro. Para piorar, ninguém lembra do que houve na noite anterior, muito menos o paradeiro de Doug (o noivo). Começando a trajetória de Phil (o Bonitão), Stu (o nerd) e Alan (O gordo) em busca do paradeiro do amigo desaparecido, antes do começo da cerimônia de casamento.

A história então ganha rumo diferente neste ponto, se transformando em uma inusitada mistura de filmes como O virgem de 40 anos com O assassinato no expresso do Oriente. Já que o grupo passa a procurar por indícios do paradeiro de Doug, assim como o inspetor Hercule Pairot na adaptação do livro de Aghata Christie, retomando o caminho inverso da noite anterior. Somando este mistério piadas  grosseiras e hilárias, que muito lembram as do filme estrelado por Steve Carell.

O principal responsável por estas cenas  é Zach Galifiana, que vive Alan, um gordo barbudo, semi-deficiente mental, sem a menor ética. O cara é ótimo, consegue arrancar piada até sobre o holocausto, além de ser responsável por uma das cenas gratuitas mais hilárias que já assisti, nela o ator simula a masturbação de um bebê.

Contudo, os outros três personagens principais conseguem obter desempenhos satisfatórios, cada um contribuindo com atuações adequadas a cada um de seus personagens. O mesmo ocorre com relação ao elenco de apoio, com destaque para a simpática prostituta vivida por Heather Graham e Mike Tyson, que até consegue bom desempenho atuando como ele mesmo.

Todd Phillips, diretor do longa, é o grande responsável por Se beber, não case contar com desempenhos tão uniformes. Assim como utilizar soluções criativas no desenvolvimento da trama, principalmente a forma como resolve o grande mistério da fatídica noite.

Sinceramente duvidei da qualidade do filme antes de assisti-lo, porém todos os pré-julgamentos foram colocados de lado logo no início da projeção. Não sei se o filme tem o mesmo impacto nas versões dubladas, já que algumas piadas provavelmente foram  perdidas na tradução. Mesmo assim o filme não deve ter perdido  seu encanto, já que conta situações hilárias mesmo quando os atores estão calados.

Por Bruno Marques - http://brunocine.wordpress.com


Nota:

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