CRÍTICAS


Sereia




Hoje assisti ao excelente filme Russo Sereia (Rusalka,2007), por muitos comparado a Amelie Poulain, foi a grande  sensação do Festival do Rio de 2008. O filme realmente faz jus aos elogios , principalmente por ser surpreendente em vários aspectos, vamos a eles: O roteiro conta a história de Alisa, que na infância sonha em ser bailarina. Filha de mãe “namoradeira”, cresceu sem conhecer seu  pai biológico, vivendo sua infância em uma cidade litorânea da Rússia, até a mudança para Moscou aos 18 anos de idade. Daí em diante o filme se limita a mostrar o que qualquer malhação da vida mostra, amores platônicos , a primeira vez, dúvidas quanto a transição para a vida adulta e dificuldades para entrar no mercado de trabalho.

O que faz com que Sereia seja um filme excelente é a forma criativa como a história é contada e a forma como os diversos clichês peculiares aos filmes adolescentes são abandonados.
 
Primeiro deles é que a menina se torna uma mulher feia, anti-social  e muda. Segundo, ela continua a sonhar em namorar um jovem rico, assim como continua a nutrir o sonho de se tornar bailarina, mas, o máximo que consegue é ser anunciante de uma companhia de celulares (ela literalmente incorpora o produto) ou faxineira da casa do jovem ao qual nutre seu amor.

O drama estilo “gata borralheira” nunca avança em Sereia, Alisa sempre esta em um primeiro estágio, tudo que consegue na trama é continuar lutando para realizar seus sonhos, mesmo que a vida não dê indícios que eles se tornarão reais.

A vida de Alisa não segue nenhum rumo lógico, tudo é deixado por conta de um destino pouco previsível. Enquanto em um filme normal provavelmente ela tudo se resolveria no fim, a história de Alisa segue coerente ao discurso do início ao fim. Portanto não espere aplausos emocionantes, beijos apaixonados ou sequências de dança antes dos créditos finais.

O filme me fez recordar algumas passagens da obra de Tolstoi e Dostoiévski, como Guerra e Paz e Crime e Castigo, respectivamente. Acredito que a diretora  Anna Melikyan tenha tirado referências de obras da chamada “Idade de Ouro” da literatura russa.

A fita se mantém fiel ao seu discurso até o fim da projeção, contando com um “Happy End” (nem tão feliz), bem coerente ao filme.  Sobre as comparações com Amelie Poulain eu discordo, acho mais parecido com outro sucesso comercial: Quem Quer Ser um Milionário, mas sem os clichês.

Por Bruno Marques   (meunomeebruno@bol.com.br)


Nota:

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