
Muito se fala a respeito do império da vaidade. Vitaminas, cinturinhas torneadas e músculos sarados são os sonhos de consumo cada vez mais presentes no cotidiano. E se um dia fosse possível não usar mais maquiagens, gastar horas e horas com bronzeamentos artificiais, suar em academias e ir
ao cabeleireiro para fazer o corte da temporada? E se alguém pudesse ter a aparência que você sempre quis ter sem toda essa perda de tempo, e ainda por cima com uma saúde impecável? Em Substitutos isso é possível.
Na cidade de Boston de 2054, o agente do FBI Harvey Greer (Bruce Willis) é um homem que vive em corpos diferentes, um tem a pele lisa e uma fisionomia jovem e atlética, enquanto o outro é um flácido barrigudo, com olhos tristes e cansados. A diferença entre eles é que o primeiro é um boneco controlado pela mente do real Greer, um sujeito que praticamente vive num estado de vegetal, passa horas do seu dia deitado numa cama com um aparelho ligado ao seu cérebro e que opera e sente todas as emoções do seu “substituto”. Só que ele não é o único. Sua mulher, seus companheiros de trabalho e boa parte do mundo também vivem na mesma situação. O único foco de resistência a essa invenção é uma região onde ficam confinados os humanos que não acreditam nesse modelo de vida e são guiados pelo Profeta, um guru que abomina toda essa raça.
Durante uma noitada em um clube na cidade, dois rapazes são mortos, mas não apenas os seus bonecos: as pessoas que os controlam também tiveram os cérebros fritados e apagaram. Harvey, junto com a sua parceira Jennifer Peters, são designados para solucionar o caso e se surpreendem ao descobrirem que uma das vítimas é o filho do Doutor Lionel Canter, o criador da tecnologia, já afastado da empresa e que está um tanto desiludido com os rumos que a sua invenção tomou. Tudo começa a complicar quando o boneco de Greer é destruído, obrigando o agente a arriscar sua verdadeira pele, seus ossos e membros travados de tanto ficar parado, no meio a todos os tiroteio e perseguições.
O longa é divertido e recheado de ação e só peca um pouco por ser tudo muito rapidamente solucionado. Já Bruce Willis está a vontade, consegue perfeitamente interpretar uma versão futurística de John McClane, o seu famoso personagem da franquia Duro de Matar. O filme ainda aproveita para fazer um questionamento: até que ponto essa história é completamente fictícia, levando-se em conta milhares de crianças que crescem esparramadas no sofá e a única coisa que realmente lhes interessa é o vídeo-game?
Saiba mais sobre o filme "Substitutos".
Por Jean Garnier.
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