A Hora da Escuridão

Publicada em 30/01/2012 às 17:07

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Certamente não devemos julgar um filme pelo pôster, mas para isso há limites. A própria divulgação e publicidade de A Hora da Escuridão não se fazem minimamente persuasivas. O longa é um horror sci-fi enfadonho, sem atrativos e que parece fazer questão de reproduzir constantemente todos os clichês do gênero, duvidando da inteligência do espectador e testando a paciência do público.

Para não dizer que absolutamente tudo ocorre nos Estados Unidos, algumas das produções hollywoodianas mais medíocres tem resolvido se aventurar por terras distantes e de culturas distintas. E o mesmo que fizeram com a nossa pátria em Velozes & Furiosos 5 - Operação Rio, resolveram fazer na Rússia. A dupla de sócios (amigos) Sean (Emile Hirsch) e Ben (Max Minghella), rumo a uma reunião de negócios, passam por ruas de Moscou e, a todo o momento, faz-se questão de ressaltar a presença de franquias do McDonnalds (o capitalismo que ganhou espaço onde reinava outrora o socialismo). Como se não bastasse ressaltar a presença do imperialismo americano no país ex-soviético, a dupla de inocentes jovens programadores tem a sua ideia roubada pelo sueco Skyler (Joel Kinnaman), cuja fala de efeito se resume a algo como um “bem vindo à Moscou!”.

O diretor Chris Gorak, mais conhecido por seus trabalhos como diretor de arte em Clube da Luta e pela supervisão da direção de arte em Minority Report - A Nova Lei, parece ter regredido depois do seu primeiro filme, Toque de Recolher, onde a profundidade da tensão psicológica nas relações humanas em um cenário apocalíptico é muito melhor retratada. Em A Hora da Escuridão, nem o roteiro, nem a direção e nem mesmo as atuações foram capazes de fazer o espectador se apegar aos personagens. Além do mais, não é preciso ser um expert em física para sair da sessão reclamando de erros absurdos ou repletos de questionamentos como, por exemplo, a possibilidade de tocar a parte externa de uma Gaiola de Faraday.

Emile Hirsch, que esteve brilhante em Na Natureza Selvagem, acaba de macular o próprio currículo. Nenhum dos cinco atores principais foi capaz de salvar alguma cena, quem dirá o longa como um todo. Tudo o que fizeram foi compor perfeitamente o grupo estereotipado dessa espécie de película. São-nos apresentados o mocinho (que tem as melhores ideias), a mocinha (e não é spoiler dizer que ambos terão um envolvimento amoroso), o amigo do mocinho, a loira linda (?) e histérica (que obviamente morre por obra do próprio descontrole e irracionalidade) e o idiota que merece morrer. Não podemos esquecer que, claro, eles não sabiam falar russo (à exceção do sueco, que verbalizava precariamente a língua), detalhe que não constitui problema, já que todas as pessoas que eles encontravam sabiam falar inglês fluentemente.

E, com todos esses pontos negativos, a produção segue lenta, monótona e com todos os merecidos clichês, como as armas com defeito que voltam a funcionar no momento mais crítico de vida ou morte. Ainda pior que os jovens incapazes de deduções lógicas (afinal, se os alienígenas estavam caçando todos os humanos possíveis, não haveria motivos para que justamente a embaixada americana se encontrasse absolutamente intacta), são os invasores extraterrestres que surgem como inocentes e belas concentrações de energia amarela, transformam-se em temíveis rastreadores invisíveis e, por fim, se revelam estranhas criaturas (artisticamente mal concebidas, diga-se de passagem) com o que se supõe serem dois olhos, uma cavidade nasal, boca e uma incrível concatenação de vértebras. Assim sendo, não nos animamos a torcer nem mesmo pelas tais criaturas.

Filmes como esse possuem uma única serventia: iludir-nos com as ideias de que até os mais inaptos podem sobreviver, desde que sejam heroicos o suficiente e de que sempre haverá um bom indivíduo disposto a nos auxiliar nas empreitadas mais arriscadas. Além de que, claro, não importa o quanto o ônibus ande em direções aleatórias, quando você conseguir acionar o freio, estará exatamente onde gostaria de estar. Portanto, boa sorte com esses incríveis manuais de sobrevivência!

Saiba mais sobre o filme A Hora da Escuridão.

Por Laísa Trojaike

Comentários (6)

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Cassiele Motta comentou: Gente, estava de bobeira no domingão, vi a ´sinopse´ do Telecine e acreditei que filme era imperdível!! Que ódio!!! se tivesse lido a crítica acima - com a qual concordo em gênero, número e grau! - teria arrumado coisa melhor pra fazer!!! Ah, se eu descubro quem disse que o filme era bom,,,, Responder

Camila Santos comentou: Nossa muito ruim mesmo esse filme, e quem discorda da critica eh por que nao sabe o que eh um filme de ficção cientifica de verdade... Por favor gente --" Responder

Cláudia comentou: Eu gostei do filme...mt bem elaborado Nota 10 Responder

johnny moreira de lima comentou: Critica Ridicula essa Heim nossa nada aver com nada são Jovens querendo sobreviver de uma raça alienigena nossa é a Realidade do Filme o Monga.... Nota 10 Responder

Mayhem comentou: Sou obrigado a descordar desta critica mal feita de uma pessoa depressiva a qual não sabe ao menos separar ficção sobre a realidade, na parte em que se foi dito:
"Filmes como esse possuem uma única serventia: iludir-nos com as ideias de que até os mais inaptos podem sobreviver"
Foi o ponto mais futil desta critica e ainda se não bastasse foi seguido por:
"Portanto, boa sorte com esses incríveis manuais de sobrevivência!"
Isso não é nenhum manual de sobrevivencia e sim um filme de ficção cientifica, na qual alienigenas invadem o mundo e uma guerra pela sobrevivencia se inicia.
Ou devo dizer que a autora da critica é com todo respeito. Uma alucinada e que acredita em OVNI's e tudo o mais?
Sempre respeitei suas criticas mais desta vez sinto em dizer que esta foi critica pifia e sem sentido.
Nota 6 Responder

nnnnnnnnnnnn comentou: mmmmmmmmmmm Nota 1 Responder