A Origem (1)

Publicada em 09/08/2010 às 17:21

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É admirável que um cineasta, conhecido por filmes comerciais como Cavaleiro das Trevas e Amnésia, tenha a preocupação de inserir temas filosóficos  em suas produções, realizando obras que servem muito bem como entretenimento, porém  sem deixar de levar o espectador a reflexão. O responsável por esse feito é Christopher Nolan, que já havia realizado um brilhante paralelo entre os espetáculos de fantasmagoria do início do século XX e o processo de criação cinematográfica em O Grande Truque, e que com A Origem (Inception - 2010) retoma a discussão dessa vez utilizando os sonhos como alusão à sétima arte.

Mesmo sendo competente em quase todos os aspectos, não se trata de trama com uma premissa inovadora. Suas análises e referências filosóficas estão contidas em várias obras literárias, como no livro 1984 de George Orwell, O Mito da Caverna de Platão, além produções cinematográficas como Blade Runner, eXistenZ e Matrix. Apesar disso, seu grande charme não depende do fato de ser, ou não, original em “estado puro”, mas sim por avançar ampliar estas obras, em uma espécie de paráfrase cinematográfica. Sobre o ponto de vista de Nolan eles ganham novos horizontes quando propõe uma viagem pelas diversas camadas da consciência, todas elas representadas de forma muito clara, principalmente pelo us o de parábolas relacionados as funções neurológicas.

Na história Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) é um habilidoso ladrão de sonhos, que leva a vida lucrando com mundo da espionagem industrial, roubando ideias e segredos das mentes de empresários bem sucedidos. O hábito de navegar por esse universo, desencadeou o caos em sua vida, principalmente por conta do suicídio de sua esposa (Marion Cotillard) e pela perda de contato com seus dois filhos pequenos . Em meio a depressão, Cobb é contratado pelo milionário japonês Saito (Ken Watanabe) para realizar seu último trabalho, desta vez com o objetivo de moldar a mente de Robert Fischer (Cillian Murphy), herdeiro de uma poderosa multinacional concorrente.

Para o serviço o espião contará com a ajuda de sua equipe, formada pela jovem arquiteta Ariadne (Ellen Page), responsável por criar um mundo mais próximo da realidade para fazer com que o sonhador não descubra que está sendo enganado, além de Arthur (Joseph Gordon-Levitt) e Eames (Tom Hardy), responsáveis tanto por colocar em prática todas as ações de espionagem quanto pelas piadas que visão aliviar a complexidade do roteiro.

Em tramas de assaltos o papel do vilão é um dos mais importantes, porém o único malfeitor é a mente de Cobb, que insere pensamentos lembranças de sua esposa em meio ao roubo, usando sua falecida esposa como forma de confundi-lo. Além dela, sentinelas altamente armados tentam proteger a cérebro invadido, usando uma enorme quantidade de bombas e metralhadoras para impedir que o "crime" aconteça.

Não espere por explicações conclusivas ao final dos longos 148 minutos de projeção, já que seus desenlaces só fazem “fritar” os cérebros do público, inserindo parcialmente as respostas que justificam tanta correria. Resta então sentar e apreciar os impressionantes efeitos especiais e um dos mais longos desfechos da história do cinema – retomando ao questões pertinentes ao poder de conquista da atenção do público feita pelos mágicos de O Grande Truque - e levar para casa os enigmas do universo da espionagem através dos sonhos.

Saiba mais sobre o filme A Origem.

Bruno Marques

Crítico, Cineasta e Web Developer.

www.brunocine.wordpress.com

Comentários (1)





Mateus comentou: Peraí, comecei a ler a crítica e parei em "filmes comerciais como Amnésia... não trazem reflexões..."

Pirou.... :)
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