Bastardos Inglórios

Publicada em 03/11/2009 às 14:06

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Bastardos inglórios

Como quase todo jovem cinéfilo sou grande fã de Quentin Tarantino, filmes como Cães de Aluguel Pulp Fiction podem ser considerados tão clássicos quanto um Casablanca ou Ben-hur, cada qual em sua época.Todavia o novo filme do cineasta esta bem abaixo desses dois primeiros filmes do diretor.

O filme conta a história de um grupo de soldados americanos que chegam a França antes da invasão dos aliados com a intenção de matar nazistas, sem nenhum propósito estratégico, apenas por vingança. Este grupo de judeus americanos liderado por Aldo Apache, vivido por Brad Pitt formam os Bastardos Inglórios (Inglorious Bastards, 2009)  do título, que chegam a Europa para arrancar couros cabeludos dos alemães como forma de punição pelo holocausto. Paralelamente a estes acontecimentos acompanhamos a rotina sangrenta do Coronel nazista Hans Landa, especialista em caçar judeus além de poliglota.Hans é vivido por Christoph Waltz (prêmio de melhor ator em Cannes) mais conhecido por seus trabalhos na TV alemã e com certeza a surpresa do ano.

Em um terceiro núcleo estão o ator alemão Daniel Brühl e Julie Dreyfus , vivem um relacionamento amoroso com sabor de água com açúcar, os dois  protagonizam as maiores e mais chatas sequências da trama. Julie  vive uma judia que teve a família assassinada por Hans Landa e usará o personagem de Daniel Brühl como ponte para conseguir sua vingança.

A película não foge a regra dos filmes anteriores do diretor, idas e vindas temporais, violência exagerada, roteiro complexo e cheio de “encaixes”. Mas infelizmente desta vez quase nada funciona como deveria. A trama é superficial  e os diálogos são longos e quase sempre banais, o que realmente faz o filme lembrar os tempos da fase áurea do diretor é a trilha sonora, como sempre excelente, regida  por não menos que o gênio italiano: Ennio Morricone, compositor de trilhas sonoras dos maravilhosos werstern’s spaghetti’s, além de filmes como 1900 de Bernardo Bertolucci. Pelo menos a música não tinha como dar errado, algumas canções lembram grandes trilhas especialmente “O Bom, O mau e o Feio”, sendo este um dos filmes prediletos de Tarantino.

Mas as qualidades param por ai, sem nenhum compromisso histórico, sem uma trama muito inventiva, o diretor vai cada vez mais tropeçando em seus próprios clichês, assim como seu filme anterior  “Deaf Proof”.

Quentin Tarantino chegou ao estrelato não pelo que inventou, mas por reciclar gêneros esquecidos como os Westerns, os Filmes B’s orientais,grotesco dos filmes trash , filmes da Nouvelle Vague francesa  todos misturados com uma trilha muito legal e roteiros inteligentes , mas acho que o fôlego esta acabando, chegou a hora do diretor  se reciclar.

Espero que seu próximo filme “Faster Pussycat, Kill, Kill, Kill”, refilmagem do clássico Cult de Russ Meyer não seja uma decepção como foi  “Bastardos Inglórios”. À propósito  provavelmente o filme será protagonizado por Britney Spears .É acho que não vai ser legal!
Uma pena o original era tão bom.

Saiba mais sobre Bastardos Inglórios.

Por Bruno Marques   ([email protected])

Comentários (1)





Daniel comentou: Sua crítica apresenta uma falha quanto ao elenco do filme:
"Em um terceiro núcleo estão o ator alemão Daniel Brühl e Julie Dreyfus". Não é Julie Dreyfus que interpreta Shoshanna, quem a interpreta é a atriz francesa Melanie Laurent, enquanto a atriz mencionada na sua crítica interpreta a tradutor de Goebbles.
Outro erro na crítica é dizer que o novo filme de Tarantino será baseado levemente em "Django" (1966).
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