Bridgerton: o encontro do velho e do novo na série da Netflix

Publicada em 22/01/2021 às 01:34

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Bridgerton: o encontro do velho e do novo na série da Netflix
Foto: Divulgação/Netflix

Inspirada na franquia literária de Julia Quinn, a série Bridgerton teve sua estreia em 25 de dezembro de 2020 pela Netflix e foi recentemente confirmada para a sua segunda temporada, tamanho o seu sucesso — que já soma mais de 63 milhões de espectadores na plataforma de streaming. Um dos motivos para toda essa audiência? O encontro entre o velho e o novo.

A série é ambientada no século XVIII, trazendo o melhor das produções de época, mas com alguns elementos supermodernos que a diferenciam de outras produções do gênero. Falaremos mais sobre os principais deles logo abaixo:

A Representatividade

Bridgerton: o encontro do velho e do novo na série da Netflix
Foto: Divulgação/Netflix

Infelizmente, historicamente sabemos que a Inglaterra do século XVIII não era nem de perto um dos melhores cenários para os negros, marcada por um forte segregacionismo e escravagismo, principalmente entre a elite, majoritariamente branca, ainda que tenhamos tido uma duquesa de ascendência africana, Sophie Charlotte de Mecklenburg-Strelitz, conhecida por muitos como "a avó negra da Rainha Elizabeth".

É nela que se inspira grande parte da história de Bridgerton, ao menos da adaptação para a Netflix: a Rainha Charlotte, que não aparece nos livros de Julia Quinn, ganhou um papel importante na série. Ela é interpretada por Golda Rosheuvel.

Outros personagens negros também ganham destaque em cena, com os holofotes voltados principalmente para Simon Bassed, o Duque de Hastings, interpretado pelo galã Rege-Jean Page. No livro, ele também é originalmente descrito como um branco, revelando como a série, sob os toques de Shonda Rhimes, se preocupou em trazer maior representatividade, ainda que não isso a fizesse se tornar menos historicamente precisa, e foi um dos maiores acertos já feitos pela Netflix. 

O Feminismo

Bridgerton: o encontro do velho e do novo na série da Netflix
Foto: Divulgação/Netflix

Outra coisa que a Netflix também fez questão de enfatizar em Bridgerton são as personagens feministas, com opiniões fortes e que não gostam de se calar perante as autoridades — embora nem sempre sejam ouvidas, dado todo o machismo ainda presente nos demais personagens da produção.

A resistência está presente em personagens como Eloise Bridgerton, totalmente sem papas na língua e de comportamento rebelde, Penelope Featherington, que prefere os estudos a se render às obrigações matrimoniais, Lady Danbury, uma das figuras de maior respeito da série, e até mesmo na protagonista Daphne Bridgerton, que tem o matrimônio e a maternidade como prioridades, mas por escolha própria.

Neste sentido a série lembra em muito Anne with an E, outra produção de época da Netflix com protagonistas feministas antes mesmo dessa palavra estar em circulação. Essa representação pode até parecer um pouco exagerada para a época, mas nem por isso deixa de ser bem-vinda. A fantasia nos permite visualizar como foram as mulheres fortes e independentes de outrora. 

As Vestimentas 

Bridgerton: o encontro do velho e do novo na série da Netflix
Foto: Divulgação/Netflix

Você não vai ver nenhuma mulher de calça jeans, mas as vestimentas tradicionais da época trazem uma nova visão a Bridgerton, demonstrando o o desconforto de vestidos enormes, as feridas causadas por peças como corserts apertados e a luta para caber nessas roupas, principalmente quando você não tem um corpo padrão. 

Ainda assim, os corsets voltaram à moda em 2021 graças à série, com diversos sites de lojas de roupas registrando aumentos consideráveis na busca por esse item tão ultrapassado, mas extremamente interessante. 

A Trilha Sonora

Bridgerton: o encontro do velho e do novo na série da Netflix
Foto: Divulgação/Netflix

O encontro do velho e do novo em Bridgerton se dá de forma ainda mais gritante em sua trilha sonora, que se constitui em versões instrumentais extremamente bem orquestradas de sucessos recentes. Nessa playlist old-contemporânea toca de tudo, incluindo versões clássicas de:

  • Bad Guy (Billie Eilish)
  • Girls Like You (Maroon 5)
  • Thank You, Next (Ariana Grande)
  • In My Blood (Shawn Mendes)

Os covers são assinados por Vitamin String Quartet, banda californiana que já está em atividade desde 1999 e chama a atenção ao redor do mundo justamente por seus acordes clássicos de músicas modernas. A série ajudou a aumentar ainda mais o sucesso do VSQ, que registrou um aumento de 350% em suas streams nas principais plataformas digitais desde a estreia de Bridgerton na Netflix, no finalzinho de 2020. 

Com esses números incríveis, que representam ainda a reposta positiva do público em relação a essa mistura pouco provável, mas muito certeira, podemos esperar que essa parceria continue para a já confirmada segunda temporada da série.

Leia mais sobre Bridgerton no Cinema10 para saber tudo sobre a série que é sucesso de audiência na Netflix .

Por Karoline Póss


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