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Até Que a Sorte nos Separe

Tão engraçado quanto o Zorra Total. Não. Isso não é um elogio. Leandro Hassum é um comediante talentoso e isso pode ser visto nos seus shows de stand-up, mas não há talento que sobreviva a um roteiro ruim, nem mesmo a inigualável Fernanda Montenegro sobreviveu (seu papel na novela Passione soava como uma deliciosa ironia).

Baseado (assim, bem de longe) no livro e sucesso de vendas Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, de Gustavo Cerbasi, Até Que a Sorte nos Separe tenta uma pedagogia às avessas, onde a personagem de Hassum faz tudo o que os mandamentos do livro condena, sem deixar de lado a indispensável caricaturização exagerada.
 
Desde os créditos iniciais, o filme mostra que foi moldado sob os ditames das piores comédias hollywoodianas, como aquelas protagonizadas por Adam Sandler. Um grande plano geral embalado por uma música pop, seguido por uma sequência de atitudes absurdas recheadas de interpretações artificiais e fim. Talvez essa forma seja o fundo do poço do cinema brasileiro.
 
Não completamente insossas, algumas cenas conseguem ser engraçadas, como a referência a Flashdance protagonizada por Hassum ou as sequências que contavam com Aílton Graça, que, embora estivesse enquadrado nesse exemplar descartável de cinema, conseguia roubar a cena e fazer valer a pena estar sentado na poltrona.
 
Nos quesitos técnicos, um detalhe chama a atenção: a fotografia. A palidez e os tons de cinza utilizados para representar o cotidiano de Amauri, Laura e o filho do casal contrastavam com o colorido vibrante da família protagonista. O que no início poderia parecer a indução da ideia de que ricos conscientes não são felizes, é, na verdade, um spoiler de direção muito bem utilizado. Mas já não se pode dizer o mesmo das piadas, que eram repetidas e exauridas até os seus limites, demonstrando que ou os roteiristas eram pouco criativos ou que esse é mais um dos casos onde é feito aquilo que se supõe que a plateia quer.
 
Embora o filme possua um ou outro ponto positivo, é impossível ignorar que, como um todo, a produção é um desastre. Qualquer grande repercussão do longa é (e deve ser considerado) um reflexo do público como um todo. Infelizmente, filmes como esse continuarão a ser feitos enquanto houver espectadores satisfeitos, da mesma forma que aquele programa de sábado a noite continuará indo ao ar.
 
Saiba mais sobre o filme Até Que a Sorte nos Separe.
 
Por Laísa Trojaike
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