O Solista

Publicada em 06/11/2009 às 14:43

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O Solista

A esquizofrenia é uma patologia mental que se caracteriza pelas alucinações (principalmente auditivas) e perda de contato com a realidade. Recentemente, foi um dos temas da novela Caminho das Índias, no qual o personagem Tarso (Bruno Gagliasso) tinha delírios de perseguição e escutava vozes. No cinema, algumas das produções mais famosas sobre a doença foram Shine – Brilhante (sobre o pianista David Helfgott) e Uma Mente Brilhante (o matemático John Forbes Nash Jr). Esse também é o caso de Nathaniel Ayers, um morador de rua com um talento desperdiçado devido a conflitos na sua própria mente, que atinge a sua redenção no filme O Solista, baseado em fatos reais.

A história começa quando o jornalista do Los Angeles Times, Steve Lopez (Robert Downey Jr.), encontra Ayers (Jamie Foxx), tocando um violino com apenas duas cordas e sentado aos pés de uma estátua do compositor alemão Ludwig Van Beethoven. Numa rápida conversa, Steve resolve ajudá-lo, com moradia, tratamento médico e aulas na Filarmônica, iniciando uma viajem de descobertas ao saber que ele era um ex-aluno da conceituada escola de música Julliard e que sua irmã já tinha até perdido a noção de seu paradeiro. O jornalista ao invés de interná-lo, começa a respeitar os seus limites, reconhecendo que nada do que irá fazer pode verdadeiramente curar o amigo. Através da sua coluna, leitores correspondem com entusiasmo: uma senhora resolve doar um bonito violoncelo e o prefeito repensou a condição de vida dos sem tetos e como eles são tratados.

A música é o único refúgio de Nathaniel da implacável doença que interrompeu o seu talento, destruindo um brilhante futuro como um violoncelista. Jamie não fez um doente piedoso, que se arrasta implorando por uma chance. É apenas uma pessoa que luta contra a sua própria mente e que elege Steve como a sua divindade. Downey Jr, por sua vez, faz um homem solitário e um tanto cansado de sua profissão, que passa por uma revolução devido as novas tecnologias, e vive um jogo paralelo com sua ex-mulher e editora Mary Weston (Catherine Keener). A direção de Joe Wright (Orgulho e Preconceito e Desejo e Reparação) procurou retratar com máximo de honestidade, mas não conseguiu fugir um pouco dos clichês que produções do gênero já mostraram. O Solista não é apenas uma história de alguém que vence, mas sim de um homem que consegue voltar a ser aceito pela sociedade.

Saiba mais sobre o filme "O Solista".

Por Jean Garnier

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