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Os Três Mosqueteiros



Alexandre Dumas? O escritor francês participou apenas como nomeador da história e dos personagens. A ligação com a obra clássica da literatura é quase nula. Coerência newtoniana? É inexistente, também. Alguma ligação com quaisquer leis da física, aqui, é mera coincidência.

Paul W. S. Anderson nunca foi um cineasta inovador. Autoral? Se ser autoral é imprimir um ritmo descompassado, fortemente amparado na ação extravagante e enfeitado por explosões e piadas incabíveis, então podemos pegar um enorme saco e jogar Anderson e Michael Bay dentro. Certamente, em poucos dias, surgirá uma aberração. Uma mistura de Nemesis com Megatron que rasgará o saco e dirá que quer dominar o planeta (talvez o universo).

Sem uma boa história para contar, Anderson se ampara na sua maior taradice: a tecnologia. Utilizando-se das câmeras mais atuais e esbanjando na utilização de ângulos profundos para ressaltar o 3D (além de maquetes gigantescas parecidas com a da abertura da série de televisão Game of Thrones), o diretor promove (e se faz necessário dizer) um espetáculo visual impressionante, transformando a ambientação do século XVII em uma obra steampunk respeitável em sua estética (trazendo, até, navios dirigíveis quase – ou totalmente - fantasiosos).

O elenco funciona com eficiência, mas é uma pena observar que a bela e talentosa Milla Jovovich, nas mãos de Paul W. S., quase não desencarna a Alice da franquia Resident Evil. Surpreendendo a muitos, o jovem Logan Lerman não parece fazer esforços para construir um D’Artagnan carismático e, apesar das participações de Christoph Waltz e Orlando Bloom, o maior destaque é o intérprete do mosqueteiro Athos, Matthew Macfadyen.

Longe de ser um bom filme, mas distante, igualmente, de ser uma obra descartável, Os Três Mosqueteiros consegue, apesar dos pesares (que não sou poucos), divertir. Acreditar na história que Anderson conta é tão possível quanto levar a sério um pescador que capturou uma sereia viva depois de vê-la caindo do céu na água.

E não há prova maior da megalomania desse (mal)dito cineasta do que a sugestão de uma sequência. E ele o faz tão sem pudor e tão sem respeito aos admiradores da obra de Dumas que o que sobra, ao início dos créditos finais, é a ilusão do divertimento ordinário (para os desconhecedores da obra) e a conformação desdenhosa (e ainda divertida) de que é impossível ensinar Newton a quem não tem vontade de aprender a somar.

Bons e ruins filmes para nós!

Saiba mais sobre o filme Os Três Mosqueteiros.

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