Crítica: Rocketman - Elton John e os altos e baixos da vida

Publicada em 03/06/2019 às 16:40

Comente


Desde o lançamento do primeiro teaser, já era notável que Rocketman se trata sobre os altos e baixos da vida. Alternância entre cenas de felicidade e sucesso com tentativa de suicídio e uma saúde mental em ruínas. O filme sobre a ascensão de Elton John, acompanha o músico desde a infância até a parte mais difícil de sua vida adulta, a reabilitação. Embora seja produzido pelo próprio artista, ele optou por mostrar a verdade e reconhecer os erros da juventude sem esconder os próprios demônios.

Aplicando uma narrativa diferenciada para filmes do gênero biografia, o filme se destaca por ser distante de seus antecessores, como Bohemian Rhapsody (2018). Com elementos fantasiosos que servem como metáforas inusitadas para a história, o roteiro sabe dar vida ao crescimento e imaginação do tímido jovem Reginald, que se torna o amado astro do rock Elton John.

Além disso, também utiliza uma metodologia já conhecida, mas pouco usada com responsabilidade. O personagem principal em todo o filme é visto em um grupo de Alcoólicos Anônimos, ou seja, toda a história é nada mais do que depoimentos de alguém que está pedindo ajuda sobre seu vício em drogas. Esse elemento não deixa pontas soltas ao unir o início e o fim do longa.

Quanto aos atores, essa complexa personalidade é vivida por Taron Egerton que tem se mostrado extremamente talentoso e mutável no cinema; ele teve um longo trabalho com coreografias e ensaios de voz, assim como seus colegas de elenco que cantaram e deram vida à diálogos de um roteiro que se baseava nas músicas de sucesso da carreira de Elton e seu letrista Bernie Taupin. Quase todos estão confortáveis em seus papéis e passam muita verdade ao telespectador, mas, em contraponto, Richard Madden foi mal aproveitado enquanto John Reid, que se transformou em um vilão chato com um roteiro que o fez parecer dentro de uma novela cheia de enrolação. Dessa forma também ocorreu com Bryce Dallas Howard no fim da trama, que se tornou uma mãe exaustiva utilizada somente quando é preciso dar um respiro na história profissional do músico.

Já em algumas partes referentes ao lado mais pesado da trama, o roteiro pecou em tornar as frustrações de Elton algo um tanto cansativo. Há uma quebra de expectativa quando o longa passa de um início dinâmico para o constante sofrimento. Apesar de ser a realidade, o cinema sempre pode encurtar os fatos ou mostrá-los de formas mais criativas.

Apesar disso, inúmeros acertos foram feitos ao abordar os vícios e medos do personagem principal. Da mesma forma que a homossexualidade foi mostrada de forma realista e sem enfeites desnecessários, justamente por mostrar a dor de quem não é entendido pela família, mas as alegrias de ser amado e espalhar a verdade. Foi uma exigência do próprio Elton John que o filme não escondesse seus momentos mais sombrios com drogas e sexo, que foram bem aproveitados e não mostraram nada além do necessário.

Na estética, o filme é a cara do artista. Muitas cores e escolhas mirabolantes que se encaixam na breguice que o artista sempre carregou em seus figurinos icônicos e inspiradores. Dessa forma, a equipe de figurino acertou em cheio. Enquanto musical, surpreende por ser empolgante e dar soluções para a passagem do tempo sem se perder nos detalhes que menos importam. Bonito e anima com cenas que puxam o lado mais clássico dos musicais, além de fazer escolhas apropriadas e muito bem pensadas das canções mais emblemáticas da carreira.  

Em suma, é uma cinebiografia diferenciada de suas antecessoras que passaram pelos cinemas e tem uma história mais redonda e completa, que sabe quando terminar e não serve apenas para encher o ego do próprio dono do filme. Ainda, seus erros são pequenos perto do fechamento que toda a obra completa tem e a satisfação que ela provoca.

Importante, emocionante e com metáforas profundas, Rocketman vale todos seus minutos em tela e marca muitos pontos pela narrativa ousada, fantasiosa e absurda. É o melhor filme musical do ano!  

Por Samanta Renck de Carvalho


Mais matérias...

Comentários (0)

Deixar um comentário


Nenhum comentário, ainda. Seja o primeiro a comentar!