Fim de Semana 10: Epidemia do Riso

Publicada em 13/12/2013

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Faltam menos de vinte dias para o natal, e menos de um mês para a virada do ano. Terminá-lo, aproveitar esta última centelha de 2013, pode ser uma tarefa divertida, principalmente quando se tem boas comédias em sua filmoteca. E, quando se fala em comédia, é impossível dissociá-la dos astros que as protagonizam, tão ou mais reconhecidos que suas obras. Seja nos anos sessenta ou na década passada, as produções do cinema norte-americano marcaram época não só com os Clark Gable, Schwarzenegger ou Cruise, em jornadas de drama e aventura temperadas com o charme dos galãs; mas também com os atrapalhados Jerry Lewis, Carrey e outros heróis do humor, tanto o pastelão quanto o mais tradicional. 

São estas figuras que vêm ao nosso fim de semana, numa seleção de algumas das melhores metragens do gênero, em termos do nível de risadas. E iniciamos a sessão com Debi & Lóide – Dois Idiotas em Apuros, sucesso de 1994.
 
O inusitado longa conquistou as bilheterias, superou o orçamento em quase quinze vezes e alavancou a carreira do Jim Carrey, já aclamado pelo trabalho no primeiro Ace Ventura – e é inusitado, sobretudo, pelos personagens principais peculiares cuja complementação (que vai desde os seus nomes, isso graças à versão brasileira) cativa os espectadores com acidentais travessuras: o Débi e o Lloyd (Jeff Daniels e Carrey).
 
 
A pouco dinâmica dupla há muito havia se unido, e sempre buscava trabalhos que lhes servissem corretamente. As esperanças, entretanto, nunca correspondiam à realidade, devido à personalidade estúpida e as atitudes incomuns que frequentemente tomavam, não raramente se envolvendo em confusões. A conversão de suas vidas, todavia, começa quando Lloyd, empregado como motorista, levando até o aeroporto uma bela mulher que embarcaria à cidade de Aspen, Colorado, acredita que ela tenha perdido uma mala. Mary Swanson (Lauren Holly), na verdade, a abandonara de propósito, dentro dela uma enorme quantia que pagaria o resgate do marido sequestrado.
 
Os amigos rumam então para Aspen, decididos a devolver o dinheiro à dona, porém entrando numa viagem de perigos e dificuldades, que “resolvem” da maneira menos nobre e equilibrada. Situações assim compõe cenas inesquecíveis, e contá-las seria revelar sérios spoilers. Mas que o riso não os impeça de assistir ao filme todo: próxima do final, a sequência do banheiro vai ficar gravada na sua mente, e, se não faz parte das mais clássicas do cinema hollywoodiano, certamente integra a plêiade das cenas de comedian-movies, bem como o encontro de Debi e Lóide com o policial rodoviário, ou a morte da coruja devido aos embaraçados parceiros.
 
Também no contexto das melhores produções do gênero, merecem ênfase as realizadas na cinematografia afro-americana; além de, caracterizando o elenco, os brancos determinarem uma minoria de atores, o humor nelas costuma ter maior acidez, com a possibilidade de evidenciar algumas diferenças sociais e raciais. Logo, pensar na categoria nos traz à mente os nomes de Chris Rock, dos Irmãos Wayans, Eddie Murphy e Martin Lawrence. Por este último estrelado, Vovó...Zona (2000) é fonte de engraçadíssimos momentos, instituídos pela singular protagonista, uma imagem caricata das velhas matronas dos bairros negros dos EUA. 
 
Para dar vida à vovó, um esquema de maquiagem e camadas de plástico cobre Lawrence por grande parte da projeção (técnica bastante parecida com as utilizadas e adoradas pelo próprio Eddie Murphy). A justificativa para a transmutação situa-se na história de Malcolm Turner, agente do FBI conhecido como um mestre do disfarce. Sua última missão o leva à pequena cidade de Cartersville. Para achar um bandido, Malcolm decide seguir sua namorada, Sherry Pierce (Nia Long), que vai, algumas vezes, visitar a avó, uma senhora chamada carinhosamente de Vovózona. Como ela sai da cidade inesperadamente, o agente precisa usar suas habilidades para personificar a rabugenta senhora. Com o tempo, Malcolm se apaixona por Sherry, mas ainda deve capturar o cônjuge criminoso e mantê-lo longe da amada.
 
Novamente, do começo à conclusão o entretenimento é mantido, inclusive aumentado: o clímax, uma espécie de “batalha final”, é o cúmulo do humor no longa. Felizmente, a qualidade segue para a segunda edição da franquia, de 2006, quando Malcolm é obrigado a retornar ao papel da idosa, numa investigação, sem o auxílio do birô, sobre o criador de um vírus de computador que pode invadir os sistemas do governo. 
 
Infiltrando-se na família do tecnólogo, torna-se a babá das crianças do vilão, e acaba vendo-se com a missão de restaurar a harmonia dentro da casa. Não há desejo de lançar muitas lições de moral, vale notar, sendo ainda distante dos filmes linha Robin Williams. Possui uma qualidade invejada, mas não atingida, pelo terceiro longa da série – e desse fiquem distantes. A não ser, claro, que se interessem em como seguiu a história da personagem. Mas, não esperem se deparar com algo que se compare à caminhada da Vovózona na praia, do segundo longa, por exemplo. 
 
 
Já a fim de presenciar novas experiências no cinema humorístico (perpetuadas há cerca de cinquenta anos), é necessário recorrer a um dos fundadores do atual estilo cômico, Jerry Lewis.
 
Ao ver o ator é impossível não lembrar de Jim Carrey, as semelhanças são evidentes. Isso porque Lewis é a representação máxima dos pastelões e mestre das expressões faciais, tão abusadas pelo seu contemporâneo seguidor (especialmente em O Grinch). O Professor Aloprado original é por ele estrelado, e, dentre sua gigantesca filmografia, é uma das escolhidas recomendações para o fim de semana. Datado de 63, o roteiro narra a descoberta, pelo trapalhão e introvertido professor Julius, de uma fórmula que o transformava no seu completo oposto – um homem charmoso, inteligente e bem falante, capaz de conquistar a amada Stella Purdy (interpretada pela musa Stella Stevens).
 
Em O Rei da Comédia (83), entretanto, encarou um humor beirado ao drama, e, dirigido pelo cineasta Martin Scorsese, ao lado de Robert De Niro, interpretou um comediante e consagrado apresentador de TV que, ameaçado e sequestrado por um aspirante, concede a ele lugar no seu show para se livrar do problema. Foi indicado ao BAFTA pela atuação, junto com o diretor e De Niro, recebendo o longa uma variedade de prêmios quando lançado. 
 
Lewis hoje se aproxima da aposentadoria, mas a comédia, da qual foi um dos construtores, jamais pode se aposentar; é eterna, e vai durar tanto quanto dure a capacidade humana de sorrir. E com este cenário (no mínimo) otimista entramos no primeiro weekend de dezembro, simultaneamente com os desejos de que a alegria de Lewis, Carrey e Lawrence decore a nossa alegria nesse natal. Porque, parafraseando o sábio desconhecido, rir é sempre o melhor remédio.
 
Debi & Lóide – Dois Idiotas em Apuros
Vovó... Zona (1 e 2)
O Professor Aloprado (1963)
O Rei da Comédia
 
Por Murillo JAF
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