Mostra São Paulo 2011: Paulo José, Stanley Kubrick, prisão de cineastas iranianos e programação gratuita. Confira!

Publicada em 25/10/2011

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35 mostra são paulo

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PRODUTOR JAN HARLAN DEBATE A OBRA DE KUBRICK APÓS SESSÃO LOTADA DE "LARANJA MECÂNICA"
Jan Harlan, produtor dos filmes de Stanley Kubrick e cunhado do diretor, estava animado e não queria parar de responder as perguntas que vieram depois da sessão lotada de Laranja Mecânica dia 22 no Cinesesc, numa projeção da cópia restaurada digitalmente que foi exibida pela primeira vez no Festival de Cannes.

"Stanley não gostava de falar sobre seus filmes. Ele falava com quatro jornalistas no máximo, todos seus amigos de longa data. Para ele, era um inferno ter que explicar o que significava a última sequência de 2001", brincou. "Para mim, é mais fácil falar dos filmes. Não sou o responsável direto pelo que vocês veem no filme, fui apenas o produtor. Admiro os grandes artistas como Kubrick, que sempre foram fiéis à sua visão do mundo e do cinema", falou.

Harlan contou várias histórias sobre Kubrick, disse que De Olhos Bem Fechados era seu filme preferido – levou 30 anos para ficar pronto – e falou de um projeto inacabado que era muito querido ao diretor, uma grande biografia de Napoleão Bonaparte. "Nesse filme, como em todos os outros, Kubrick iria mostrar a loucura humana, o fato de que queremos sempre ser racionais, mas na verdade somos governados pela emoção. Napoleão sabia que devia declarar trégua com a Inglaterra, mas seu ódio pelo país inimigo era tão grande que o levou à derrota." Laranja Mecânica foi o primeiro filme que Harlan produziu para Kubrick, mas seu preferido da carreira do grande diretor é o épico Barry Lyndon, o primeiro em que ficou plenamente satisfeito com seu trabalho como produtor.

Jan Harlan volta a falar com o público nesta terça dia 25 às 19h, logo após a exibição do Era uma vez... Laranja Mecânica, de Antoine de Gaudemar. O encontro acontece na FAAP. A entrada é gratuita e as senhas são distribuídas com uma hora de antecedência.

Fonte: Jornal da Mostra

 

DIRETORA MANIA AKBARI VEM A SÃO PAULO; SUA DISTRIBUIDORA IRANIANA CONTINUA NA PRISÃO 
A 35ª Mostra apoia o crescente protesto global condenando a detenção e a prisão de cineastas iranianos e pedindo sua libertação imediata e incondicional. No dia 17 de setembro, os documentaristas Hadi Afarideh, Shahnam Bazdar, Naser Saffarian, Mohsen Shahrnazdar e Mojtaba Mir Tahmasb, juntamente com Katayoun Shahabi, fundadora e diretora de uma das empresas distribuidoras mais importantes do país, a Sheherazad Media Internacional (SMI), foram presos e estão sob custódia na prisão Evin, em Teerã.

Segundo Ron Henderson, cofundador da Denver Film Society, que tem um longo histórico de produção de mostras com os filmes distribuídos pela Sheherazad, "Katayoun tem desempenhado um papel importante na promoção do cinema iraniano em todo o mundo (...) apesar dos esforços do governo iraniano para reprimir a liberdade de expressão e as vozes destes artistas de cinema incrivelmente talentosos e dos dedicados distribuidores".

A Sheherazad Media teve vários de seus filmes exibidos na Mostra. Entre eles Linda Cidade (2004), Aos Poucos (2006), Amanhecer (2006), O Homem Que Comia Cerejas (2009) e Heiran (2009).

Uma das convidadas da 35ª Mostra é Mania Akbari, diretora de Um.Dois.Um, distribuído pela Sheherazad Media International. Mania chega a São Paulo no dia 26 de outubro como convidada da Mostra. Ela nasceu em 1974 no Irã e começou sua carreira como pintora em 1991. Seu primeiro longa-metragem foi 20 Fingers (2005). Dirigiu ainda 10 + 4 (2008, 32ª Mostra), sequência do filme Dez (2002).

Jafar Panahi Outra vítima do regime autoritário iraniano é Jafar Panahi, diretor de obras-primas como O Círculo (2000), Leão de Ouro no Festival de Veneza; e Carmim Ouro (2003), e que foi membro do Júri Internacional da Mostra. Ele foi condenado a seis anos de prisão e proibido de filmar ou sair do Irã nos próximos 20 anos.

Panahi, que apoiou a oposição durante as eleições de 2009, foi preso em março de 2010 enquanto gravava um documentário sobre o pleito que reelegeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Libertado em maio de 2010, depois de pagar fiança e dar início a uma greve de fome, Panahi foi condenado em janeiro de 2011. Após apelar contra a sentença, o diretor foi mantido em prisão domiciliar, até ficar sabendo pela imprensa do veredito que reitera sua condenação. A advogada do diretor, Farideh Ghairat, afirmou que vai recorrer à Suprema Corte Iraniana.

O mais recente longa-metragem de Panahi, Isto não é um Filme, integra a programação da 35ª Mostra. O filme, que retrata um dia de sua vida em prisão domiciliar, foi contrabandeado para fora do Irã e exibido no Festival de Cannes deste ano.

Mohammad Rasoulof - diretor de Adeus, em exibição na 35ª Mostra - foi detido junto com Panahi em março de 2010.

Fonte: Jornal da Mostra

 

COMEÇAM AS EXIBIÇÕES NO VÃO LIVRE DO MASP 
Tradicionalmente a Mostra exibe todos os anos, no Vão Livre do MASP, filmes gratuitos para a população de São Paulo. Sob o espaço, que é uma das mais importantes referências culturais da capital paulista, a partir de ontem até o dia 3 de novembro grandes sucessos do cinema que já fizeram parte da seleção de Mostras passadas passarão pela telona do MASP, sempre às 19h30.

O filme que abre a programação é Singularidades de uma Rapariga Loura, do veterano diretor português Manoel de Oliveira. Baseada num conto de Eça de Queirós, a obra conta a história de Macário, um jovem que vai trabalhar como contador na empresa de seu tio, Francisco, em Lisboa, e se apaixona perdidamente por uma vizinha loura. Ele então decide pedi-la em casamento, mesmo contra a vontade de seu tio, e começa a descobrir as singularidades do caráter de sua noiva.

Veja a programação completa abaixo:
Terça-feira, 25/10 – Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos, de Woody Allen
Quarta-feira, 26/10 – O Mágico, de Sylvain Chomet
Quinta-feira, 27/10 – O Puritano da Rua Augusta, de Amácio Mazzaropi
Sexta-feira, 28/10 – Hanami – Cerejeiras em Flor, de Doris Dörrie
Segunda-feira, 31/10 – Lope, de Andrucha Waddington
Terça-feira, 01/11 – Deixa Ela Entrar, de Tomas Alfredson
Quarta-feira, 02/11 – Em um Mundo Melhor, de Susanne Bier
Quinta-feira, 03/11 – A Confirmar

Fonte: Jornal da Mostra

 

PAULO JOSÉ BRINCA E REVIVE 70 ANOS DE CINEMA 
Paulo José dispensou o microfone para começar a falar dos filmes da sua vida, dentro do ciclo de depoimentos promovido pela Mostra. Levantou da cadeira, recriou cenas e interpretou personagens marcantes. Brincou com o chapéu, que por vezes fazia cobrir seus olhos. Riscou um ou outro da lista de filmes que havia feito. "Tenho 74 anos, e comecei a assistir filmes aos quatro; são 70 anos de cinema", afirmou, explicando a dificuldade de selecionar as obras que citaria ali.

Durante a infância em Bagé, o ator assistiu clássicos da Disney – Bambi (1942), o primeiro que viu na vida, "comendo pipoca no chão do cinema", e A Branca de Neve e os Sete Anões (1937), além de filmes de aventura e faroestes que assistia nas matinês. Morar nos fundos do Cinema Avenida lhe garantia acesso fácil a restos de cenas de filmes que eram jogadas no lixo. "Eu tinha coleção de cenas, chamava-as de `ceninhas´. Tinha amigos que também faziam coleções. A gente trocava como figurinhas", contou, orgulhoso de seus fotogramas de O Gordo e o Magro.

Ainda na infância, com sete ou oito anos, ganhou um projetor do pai. "Um projetor alemão, o que nos levou a fazer teatro de sombras. Nós éramos os únicos que ríamos das histórias, porque não tinha ninguém assistindo".

Cinema e desejo

Em Porto Alegre, pra onde se mudou aos dez anos de idade, Paulo conheceu a cultura dos cineclubes e teve seu primeiro contato com o cinema europeu. "Tudo me parecia novo, era uma visão primeira de cinema. O cinema americano vivia de repetição. O cinema europeu, por sua tradição literária, trazia histórias originais", explicou. Conheceu Jean Renoir, Henri-Georges Clouzot, de O Salário do Medo (1953) e As Diabólicas (1955), e Ingmar Bergman, que descobriu com Mônica e o Desejo (1953) – "um filme altamente erótico".

A descoberta da sexualidade durante a adolescência o fazia vibrar com filmes como Arroz Amargo (1949), de Giuseppe De Santis, em que Silvana Mangano aparecia de "shortinhos que dobravam na coxa" enquanto trabalhava em plantações de arroz. Pernas que os padres tinham o cuidado de esconder em filmes exibidos no colégio – "eles ficavam na cabine e no momento que apareciam as coxas, eles escondiam com papel" – como ocorreu em Escola de Sereias (1944), estrelado por Esther Williams.

Dentre os autores brasileiros, ressaltou a importância de Glauber Rocha para o cinema nacional e de Joaquim Pedro de Andrade, que o dirigiu em O Padre e a Moça (1966), para sua formação: "foi meu mestre no cinema". Também citou Domingos de Oliveira e Selton Mello, com quem trabalhou em O Palhaço, em exibição na 35ª Mostra.

No fim do depoimento, Paulo José levantou e lembrou trejeitos de seu personagem, o palhaço Puro Sangue, para as 60 pessoas que compareceram ao Cine Livraria Cultura 2. "Todo mundo deveria ser palhaço, ter o direito a fazer besteira de criança. Não precisei fazer composição [do personagem] a sério, mas brincando", completou.

Não perca os próximos encontros do ciclo OS FILMES DA MINHA VIDA – sempre às 11h da manhã no Cine Livraria Cultura 2, Conjunto Nacional, com entrada gratuita.

25/10 – terça-feira: Selton Mello 26/10 – quarta-feira: Beto Brant 27/10 – quinta-feira: José Geraldo Couto 28/10 – sexta-feira: Eduardo Coutinho 30/10 – domingo: Jorge Furtado 31/10 – segunda-feira: Isabela Boscov 01/11 – terça-feira: Laís Bodanzky 02/11 – quarta-feira: Marçal Aquino Cine Livraria Cultura 2 – Conjunto Nacional
(Rua Augusta, 1811 – esquina com a Paulista)
Entrada gratuita

Fonte: Jornal da Mostra

 

Por Laísa Trojaike - @LaísaTrojaike

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