Sharpay Evans: uma personagem complexa

Publicada em 17/09/2019 às 22:45

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Sharpay Evans: uma personagem complexa
Foto: Divulgação/Disney

Sharpay Evans, personagem de Ashley Tisdale na franquia de filmes High School Musical, é oficialmente considerada como a antagonista da saga. Entretanto, nos últimos anos, fãs deram início a uma teoria de que, talvez, a personagem nem fosse alguém tão ruim assim, e os debates foram retomados na última segunda-feira (16), incluindo a visão da própria atriz.

Conforme noticiado aqui no Cinema10, Tisdale se manifestou no Twitter, afirmando que "Sharpay estava perseguindo seu sonho, [enquanto] Troye e Gabriella estavam perseguindo um ao outro". Sua resposta deu o que falar, dividindo o público entre aqueles que concordam com ela e aqueles que acreditam que Sharpay é, sim, a vilã.

Toda essa divisão de opiniões é, na verdade, a prova de quão complexa é essa personagem, aproximando sua personalidade de algo muito mais real e palpável para nós, seres não-fictícios, que não precisam ser definidos como “bons” ou “maus”: somos um pouquinho de cada, assim como Sharpay.

Para defender este ponto de vista, voltemos à descrição da personagem no filme: desde muito jovem Sharpay Evans, uma garota rica da elite, sonha em se tornar atriz de musicais. Quando sua escola começa a organizar um evento, vê nele a oportunidade perfeita de brilhar e mostrar para todos as suas incríveis habilidades e anos de práticas, mas as coisas não serão tão fáceis de serem adquiridas.

Sharpay Evans: uma personagem complexa
Foto: Divulgação/Disney

Isso porque Gabriella, uma garota boazinha e de família financeiramente desfavorecida, acaba de se matricular na mesma escola e também irá tentar uma vaga no musical – não por estar verdadeiramente interessada na oportunidade, mas por ver no show uma boa oportunidade para passar tempo com Troy Bolton, seu interesse romântico que também canta muito bem, embora ainda esteja enfrentando conflitos de interesses entre a música e o basquete.

Quem assistiu ao filme sabe que Gabriella e Troy acabam por conseguir os papéis principais, e não Sharpay e Lucas, seu irmão, embora estes tenham ensaiado e se dedicado por muito tempo antes. O casal do momento, entretanto, não parece estar tão focado no musical, sempre se atrasando para as performances ou se apresentando sem o figurino combinado, o que acaba irritando Sharpay – ainda mais por ela também ser apaixonada por Troy.

Neste sentindo, é até considerável que Sharpay demonstre um comportamento revoltado, pois tratava-se de uma oportunidade que poderia abrir portas para a realização de seu sonho profissional, mas que acabou sendo jogada água abaixo por dois amadores irresponsáveis. Ainda assim, não é o suficiente para transforma-la em uma figura oprimida: em diversos momentos do filme, demonstrou-se autoritária, injusta e rude sem motivos.

Sharpay Evans: uma personagem complexa
Foto: Divulgação/Disney

Em sua posição de elitista privilegiada, Sharpay não estava acostumada a receber um "não" como resposta e, sem saber lidar com os obstáculos que surgiam em seu caminho, passa a imagem de opressora. Não são poucos os momentos em que a personagem é grossa com Kelsi, compositora do musical da escola, menosprezando seu trabalho e a tratando extremamente mal, assim como rebaixa seu próprio irmão e outros estudantes do colégio.

Para Sharpay, tudo o que importa é a realização de seu sonho, e não haveria nada de errado nisso se não fosse por suas ações. Ao contrário do que diria Nicolau Maquiavel, os fins não justificam os meios. Ela é uma garota talentosa, dedicada e esforçada, mas pisar em seus colegas como caminho para atingir seus objetivos é injustificável e não há defesa. 

Como a história é centrada no desenvolvimento do relacionamento de Troyella, como o casal Troy e Gabriella é apelidado pelos fãs, Sharpay facilmente torna-se uma vilã por suas atitudes grosseiras e insensíveis, de um comportamento tipicamente burguês que, por convenção e estereótipo ao estilo Mean Girls (loiras, ricas e malvadas), calhou para o enredo, mas, novamente, a personagem é mais do que isso.

Ao longo dos três filmes, Sharpay demonstra grande evolução e amadurecimento quanto a sua personalidade e conduta, revelando-se como uma personagem complexa que pode, sim, demonstrar mais que uma faceta ao mesmo tempo.

Sharpay Evans: uma personagem complexa
Foto: Divulgação/Disney

O ápice de sua evolução é demonstrado em seu filme solo, A Fabulosa Aventura de Sharpay (2011), com acontecimentos ambientados no período pós-High School Musical quando, já formada, enfrenta a realidade e crueldade da vida profissional, onde a fama e o dinheiro não são tão fáceis de serem conquistados.

Principalmente por ser um filme já centrado nesta personagem, é mais fácil deixar de vê-la como uma vilã - assim como a Disney tem se habituado a fazer com outras personagens, tais como Malévola e, agora, Cruella de Vil, mostrando o seu lado da história para tornar as personagens mais humanas, de personalidades mais compreensíveis.

Neste filme, Evans está na luta para conseguir crescer como atriz. Ao se apresentar em um evento de caridade com seu cachorro, Boi, é notada por um olheiro e levada para Nova York e se decepciona com o que vê: o mundo artístico não é tão lindo e fácil quanto ela imaginava, mas sim um espaço repleto de pessoas ainda mais grosseiras do que ela havia sido no Ensino Médio.

Sharpay Evans: uma personagem complexa
Foto: Divulgação/Disney

Com este enredo, Sharpay sente na pele aquilo que proporcionou a seus colegas de trabalho durante os anos de musicais na escola, dando um giro completo em todo o seu histórico, deixando a figura de opressora para tornar-se oprimida. O que não apaga o que fez no passado, mas ao menos a torna uma pessoa melhor no hoje.

Sendo assim, Sharpay não deixa de ser a vilã de High School Musical, é inegável o fato de que, dentro do contexto da narrativa e com suas péssimas atitudes, ela jamais poderia ser a heroína da história. Entretanto, ao avaliar todo o contexto da personagem, entender a sua complexidade e perceber que, ao menos, ela pôde se redimir ao longo da saga, a aproximam de uma figura humana que tem, sim, momentos bons e maus. Uma figura humana que pode se achar a heroína de sua própria história enquanto, sem perceber, é a antagonista da história de outro alguém. Uma figura humana que erra, erra muito, mas que aprende ainda mais. 

Afinal, todos nós somos um pouquinho Sharpay Evans: dependendo do ponto de vista, inúmeras possibilidades de interpretações podem surgir. O importante é não nos isentarmos das consequências de nossas ações, mas sim nos redimirmos e aprendermos com os erros. O importante é evoluir e crescer, tal como a personagem de Ashley Tisdale.

Leia mais sobre High School Musical no Cinema10.

Por Karoline Póss


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