007 - Operação Skyfall

Publicada em 04/11/2012 às 12:45

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Não vou dizer que é necessário conhecer toda franquia para poder compreender Skyfall, até mesmo porque isso seria um defeito que o filme não contém, mas parto do princípio de que, embora o filme funcione por si só, como um organismo independente, quem conhece mais poderá ver mais e compreender mais e, assim, apreciar melhor. Skyfall não é apenas outro filme centrado no icônico e clássico James Bond, é uma obra prima dos blockbusters.

Sam Mendes compõe o que talvez venha se tornar uma de suas mais importantes e sutilmente fortes obras, ao lado de películas inigualáveis como o incrível Beleza Americana e o sensível Estrada para a Perdição. O diretor recupera com maestria o realismo dos filmes de agente secreto. Não parecendo mais uma fantasia distante, faz com que seja natural a possibilidade de que James Bond possa estar atrás de outro super vilão agora mesmo.
 
Embora bastante condizente com os moldes de filmes de ação, Skyfall se mostra muito mais inteligente que os demais longas do gênero. Com a profundidade racional de um jogo de xadrez, os bons, os maus e Bond são peças sencientes do tabuleiro Grã-Bretanha. Mérito do roteiro que, suportado por todos os demais quesitos técnicos, sustenta, em pé de igualdade, a tensão, as cenas de conflito, as entrelinhas e as referências, como a alusão à caneta explosiva ou o Aston Martin DB5 de assento ejetável. E tudo isso, claro, envolto em uma trilha sonora precisamente composta e nada genérica, capaz de assegurar a atmosfera de cada cena com imponência e indispensável naturalidade. Logo de início as cenas de ação são contornadas por uma composição como não ouvíamos há tempos no gênero e, durante o restante da película, a grandiosidade não se perde.
 
Filmado em locações perfeitamente escolhidas por uma equipe mais do que competente, genial, Sam Mendes assina a obra com ainda mais vigor. Fica impresso na retina do espectador uma certeza, ainda que efêmera, de não-ficção. Se Istambul confere realismo a uma tensa perseguição, as luzes de Xangai concedem magia a uma missão noturna. De Londres, a pátria cinzenta do agente, vemos o clássico, com atenção aos detalhes que, em momento algum, deixam transparecer alguma característica efusiva de contemporaneidade. Carros, metrô e toda a sorte de objetos modernos acabam disfarçados e condizentes com o cenário londrino, numa fotografia de clara exaltação do patriotismo britânico do 007, que não precisa ceder lugar a bandeiras tremulantes como os heróis hollywoodianos.
 
Mudam os diretores, os roteiristas e os atores, mas o que não muda é a eterna elegância de James Bond. Com um excelente trabalho de atualização, a figurinista Jany Temime mantém o estilo do personagem, sem fazê-lo destoar ante o resto da franquia ou dos cenários. Com o auxílio do estilista Tom Ford, Bond veste ternos que são verdadeiros gadgets: perfeitamente ajustados ao seu físico, flexíveis e indestrutíveis.
 
A modelo francesa Berenice Marlohe surge como uma sombria Femme Fatale e, não fosse a sua atuação, poderia ter convencido de que era a grande vilã da trama (ou, pelo menos, até a aparição de Javier Bardem). A presença dessa bondgirl soa como se Picasso tivesse resolvido dar algumas pinceladas no Narciso de Caravaggio, um toque desnecessário de instabilidade na perfeição. Em contrapartida, Naomie Harris é a Bond girl impenetrável, repleta de camadas, imprevisível e, por isso, supostamente perigosa. Eve, sua personagem, flerta com a ideia de que pode se igualar a Bond, mas é por ser multifacetada que a futura revelação de sua personalidade não enfraquece o seu caráter.
 
Que Daniel Craig é um excelente Bond, já é de conhecimento geral, mas que Javier Bardem entraria para o hall dos melhores vilões da história do cinema (e aqui faço uma aposta pessoal), era apenas uma expectativa. Se Skyfall fosse O Cavaleiro das Trevas, Bond seria o Batman e Silva seria o Coringa. A analogia é ainda mais plausível conforme o desenvolvimento da trama revela detalhes. São personagens como Silva, Coringa, Hannibal, John Doe, Phyllis Dietrichson, Anton Chigurh, Jack Torrence, Alex DeLarge e tantos outros que nos fazem esquecer dos mocinhos.
 
007 - Operação Skyfall é um tapa de luva na face daqueles que desconsideram todo e qualquer produto da cultura mainstream. É uma obra disposta a permanecer intacta em sua grandiosidade durante gerações. E que mais canções como “Skyfall”, interpretada por Adele, venham a embalar as tradicionais aberturas dos futuros rebentos de Ian Fleming.
 
 
Por Laísa Trojaike

 

Comentários (4)

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hamilton avelino dias comentou: Achei o filme sem a mistica das invencoes mirabolantes e um bond vacilante sem glamour valeu pelas cenas de acao mas ao todo achei ofilme fraco quem viu roger moore sofre vendo Daniel craig 02/06/2013 | Responder
Marcos Stark respondeu: achei fraco o Moore prefiro o Sean Connery 07/09/2013

Franciele Baltazar respondeu: Vi Sean Connery, Roger Moore, acompanhei todos os filmes, claro que Sean Connery era um ótimo James Bond. Mas Daniel Craig é um excelente ator, ele consegue trasmitir suas intenções, a intenção do personagem, da cena para o público. Os filmes foram melhorando cada vez mais, sem falar que alguns filmes do Bond eram surreais demais, e já a triologia que Craig fez, aborda mais a realidade e acho isso fantástico. 25/07/2014


michaeldebeer comentou: gostei muito .. o melhor com daniel craig 07/04/2013 | Responder

José Carlos Martins comentou: SKYFALL, 2012 FOI UM FILMÃO QUE ME
AGRADOU TANTO QUE ASSISTI 03 VE
ZES NO CINEMA; UMA VEZ COM MINHA
AMADA, UMA VEZ COM MEUS FILHOS E OUTRA VEZ COM AMIGOS TAMBEM CINEFILOS 007 IMPECAVEL, ACHO QUE NAO IMPORTA QUEM O INTERPRETA, CADA UM TEM SEU ESTILO, O MAIS CURIOSO CADA NA
SUA DECADA, E A VEZ DE DANIEL GRAIG,.. QUE VENHAM OS PROXIMOS
E, CADA VEZ MELHORES TEXTOS E A
ÇÕES...2013 BOM PRA TODOS,,,JCM
01/01/2013 | Responder

gislane moreno comentou: MEU NAMORADO DEVE ADORAR POR SER UM FILME DE AÇÃO E AVENTURA.... 16/11/2012 | Responder