Magic Mike

Publicada em 31/10/2012 às 14:44

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Há dois tipos de espectadores de Magic Mike. O primeiro se enquadra nos atraídos (ou melhor, nas atraídas) exclusivamente pelo cartaz fetichistas, estampado de atores sem camisa em posições energéticas. Já o segundo, porém, se esforça para ignorar a chamativa publicidade e troca seu ingresso por um voto de confiança com o engenhoso diretor Steven Soderbergh. Mas afinal, quem sai lucrando?
 
O filme conta a história de Mike (Channing Tatum), um empreendedor que vive como stripper em busca do sonho americano. Tudo muda quando, para ajudar um colega desempregado, apresenta seu submundo e o batiza de Kid (Alex Pettyfer), para ocupar a vaga de ajudante de palco. Não demora muito até que Kid se torne mais um membro do clube Xquisite, propriedade de Dallas (Matthew McConaughey), um ex-stripper cujo sonho é transferir sua trupe para Miami. Entretanto, aquele ambiente vai se relevar muito mais que um mundo de aparências.
 
No fundo, o saldo é equilibrado; ambos os lados ganham tanto quanto perdem. Logo no início, o espectador já é apresentado a uma cena de dança sensual, ensaiada por Matthew McConaughey, como um cartão de visitas alertando quem não estiver disposto a ver aquilo, a deixar a sala enquanto pode. Assim, o filme se sustenta misturando a estética fetichista a um desempenho técnico formidável, com total estabilidade.
 
O elemento voluptuoso para o primeiro grupo é, obviamente, as complexas coreografias. Ora, apesar de já contar com um elenco repleto de sex symbols, o trabalho bailarino dos atores é ótimo, bem sincronizado e coerente, sem demonstrar nenhuma vergonha no palco. Além do mais, são ajudados diretamente pelo espetacular design de som que, ao entrarem em cena, explode um grave de uma tonelada, sobre uma camada estridente de histeria feminina, deixando o ouvinte sem qualquer chance de fuga sonora durante toda a performance.
 
No entanto, seus desempenhos corporais são inversamente proporcionais às atuações. A impressão passada é que o lado dançante foi tão árduo, que o elenco esqueceu completamente que tinha falas e deviam, afinal, passar alguma emoção sem suas camisas desnudas, soando, assim, infantis e forçados, como, por exemplo, em um gaguejo de Channing Tatum no meio de uma discussão com a personagem de Olivia Munn que beira o ridículo da artificialidade. No fim, precisam ser ajudados pelo design de produção para construir o caráter de seus personagens, o qual apresenta a desconfortável presença de Kid na casa da irmã pelo rosa e tons claros onipresentes no cenário, e o busto e quadro de si mesmo, para o narcisismo de Dallas.
 
Já o segundo grupo, é presenteado com simplesmente uma das melhores fotografias da última década. Assinada também pelo diretor Steven Soderbergh, mas com um de seus múltiplos pseudônimos, é ousada e envolvente, explorando principalmente toda a sexualidade de tons quentes, seja no exterior alaranjado, ou no roxo interno da boate, além dos atordoantes flashes disparados constantemente durante a dança. Sua luz penetra na retina e funciona como um termômetro corporal, que ferve de vermelho em uma cena de sexo e esfria logo em seguida, para um diálogo formal. Vale ainda ressaltar a maestria na qual o diretor explora não só com as luzes artificiais, mas também as naturais, em uma belíssima composição na praia, cuja luz reflete na água e cria um efeito hipnótico nos corpos dos atores.
 
Contudo, seu desenvolvimento é prejudicado pelo enfadonho roteiro. O enredo do filme flutua no óbvio, com reviravoltas previsíveis e diálogos prosaicos, sem a menor expressividade. Em consequência, o diretor é obrigado a usar novamente interferências externas para criar a tensão sexual necessária de certas cenas, como, por exemplo, ao apresentar a sedutora personagem Nora, vivida por Riley Keough, enquanto a televisão ao fundo anuncia a iminência de um furacão.
 
Magic Mike agrada, pois, tanto os curiosos quanto os admiradores do trabalho de Soderbergh. Porém, ambos não saem completamente satisfeitos da experiência, uma vez que possuem problemas notáveis que comprometem seu total desenvolvimento. Mesmo assim, ainda consegue surpreender o espectador, com ótimas soluções, sejam elas técnicas ou performáticas. Nada mais que um filme, o qual, infelizmente, só será lembrado pela metade.
Por Lucas Fratini

Comentários (1)

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gislane moreno comentou: HUUUUM QUERO MUIIITOO VER ESSE FILME, NAO SPÓ POR CAUSA deles MAIS SIM DA DANÇA HEHEHEHE 16/11/2012 | Responder