Margin Call é, de longe, uma bela propaganda enganosa. Um trailer que deixa o expectador ansioso, entretanto peca pela lentidão e termos técnicos. O enredo, que parece atraente, conta a história de uma empresa que, da noite para o dia, descobre estar à beira da falência. A promessa de uma trama instigante se fortalece na ideia de que essa história se passa em meados de 2008, quando o mundo todo foi sucumbido por uma crise financeira de grandes repercussões.
A ideia é boa, mas a execução foi um belo tiro no pé! Nem o elenco consegue salvar Margin Call de ser um belo sonífero. Trata-se de um filme para poucos, provavelmente economistas, CEO´s e pessoas interessadas por ver retratado no cinema toda a tensão que, inevitavelmente, acompanhamos pela mídia nos últimos anos. Entretanto, não deixa de ser um retrato real e cruel do que realmente acontece nas grandes corporações.
Nem Kevin Spacey, nem Demi Moore conseguem levantar a moral de Margin Call diante do público, que se divide entre os decepcionados e os entediados. Sinceramente, acho que apenas a atuação de Zachary Quinto e Penn Badgley é capaz de trazer algum sentido mais dramático ao filme, pela interpretação de Peter e Seth – os amigos jovens e ansiosos com a vida em xeque diante dos tubarões executivos.
Talvez com um pouco mais de movimentação e uma trilha mais emocionante o filme poderia trazer um pouco de dinamismo à trama, o que infelizmente não foi o caso.
Também discordo da sua opinião, geralmente filmes que a maioria acha tedioso, são os
filmes com conteúdo e que trazem reflexos sobre a origem dos conflitos da sociedade! eu
sou estudante de negócios, e opero no mercado financeiro! e acho que o filme traz varias
pequenas ideias que fomentam nossa ideia sobre como funciona nossa sociedade, existem
outros filmes sobre a crise, e acredito que esse é o que mais se aproxima do entendimento
da população. Para mim, nada mais é o resultado da arrogância e ganancia humana, o mercado
sabia o que estava acontecendo de errado mas estavam ganhando dinheiro com isso (e
ganharam porque o governo consertou a maior parte do rombo), do outro lado as pessoas
normais que fizeram hipotecas que sabiam que não iam pagar. É da natureza humana, quebrar
e recomeçar.
JOAO S RIBEIRO NETO comentou em 12/01/2012:
Nota:
9
Discordo radicalmente da opinião acima. É um filme com roteiro muito bem feito e muito bem
interpretado por todos, especialmente por Tucci, Irons, Moore,além de Zachary Quinto e
Penn Badgley. Não sou economista, mas professor, e fiquei em estado de tensão do começo ao
fim, atento a cada detalhe, num estado de suspensão da realidade, por envolvimento total
com o filme. É um filme catártico e é um filme importante por muitos motivos, mas nenhum
tão importante quanto o significado da história que conta, na qual o cinismo e a falta de
ética de quem tem o poder (neste caso, o financeiro, mas em outros, o político) fica
patente. É uma história real. Ficcionalizada, mas que tem correspondentes reais facilmente
identificáveis, sem ser um "filme à clef".
Entre os aspectos formais interessantes está a duração de 24h, modelo do teatro grego, e
que, neste caso, corresponde à intensidade em que se desenrolam fatos que mudam
radicalmente a vida de pessoas e da história. A vida dos personagens centrais não será
nunca mais a mesma, assim como, estamos vendo, a vida econômica,e, portanto, a política,
não está sendo mais a mesma.
Acho importante destacar mais uma qualidade do filme, além dos diálogos magníficos, que é
o poder narrativo ou poético de certas imagens, como a imagem inicial da chegada dos
"degoladores", que já estabelece de início um clima de tensão, assim como duas imagens de
Nova York, vistas, uma da base do heliponto e outra da janela, nas quais os protagonistas
falam da beleza da cidade e do seu amor a ela.