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Surpresa em Dobro


Surpresas em Dobro

O que poderia ser uma comédia bacana, repleta de boas atuações, é na verdade o contrário, e ao final fica difícil se arrancar risadas e coloca verdadeiros mitos de Hollywood em situações embaraçosas – para não dizer totalmente ridículas. Em Surpresa em Dobro (Old Dogs – 2009) Charlie Reed (John Travolta) e Dan Raybum (Robin Williams) são grandes amigos e donos de uma empresa de marketing esportivo de muito sucesso – isso é visível não apenas pela quantidade de dinheiro que eles faturam, mas também pela influência que têm perante alguns atletas. Dan é um cara divorciado, e sete anos depois desse seu frustrado casamento, a sua ex Vicki (Kelly Preston) aparece com o resultado daquele relacionamento: os gêmeos Emily (Ella Bleu Travolta) e Zach (Conner Rayburn).

Vicki não quer o dinheiro do seu ex-marido, ela quer que ele apenas cuide das crianças enquanto ela cumpre pena na prisão por umas encrencas que arrumou por ser uma ativista ambiental. Sem muita escolha, Dan aceita e pede para Charlie a ingrata tarefa de ajudá-lo.  Lógico, tudo será complicado, até por que ambos não têm experiência como babás, e paralelo a isso, estão desenvolvendo um contrato milionário com uma multinacional japonesa. Começa aí o típico filme pastelão de humor duvidoso. Para se ter ideia, numa das cenas, durante uma viagem para um acampamento, o instrutor (Matt Dillon) começa a duvidar da sexualidade da dupla de protagonistas. Em outra passagem, com a impossibilidade de ver o acordo em Tóquio, enviam o seu funcionário Craig White (Seth Green) para representá-los e dá-lhe sequências de piadas sem graça. Em outra, o mesmo funcionário é envolvido uma cena em que um gorila o coloca no colo e o trata como um filho, o que já estava sendo banal, se torna pior: White canta uma música de ninar e o gorila dorme. Realmente isso exala originalidade de dar inveja.

Os amigos até têm boas intenções em relação às crianças, só que tudo começa a dar errado! Eu digo isso não apenas na história ficcional do filme, mas em relação ao seu TODO. A história é fraca, as atuações são desastrosas, o roteiro é ruim e parece seguir a cartilha de que extensas situações banais são obrigatórias para se ter algo que satisfaça o público. O que faz com que atores consagrados como Travolta e Williams – além de dinheiro, é claro – aceitarem estrelar isso? Na época de Pulp Fiction, lembro de John Travolta contando que se arrependia de ter feitos algumas produções que ajudaram afundaram a sua carreira. A impressão é que ele esqueceu disso, e “Surpresa” se posiciona ao lado de outras pérolas que o astro fez nos últimos dez anos, como A Senha e A Reconquista. Sem dúvida essa tediosa experiência é a primeira grande bomba do ano!

Saiba mais sobre o filme Surpresa em Dobro.

Por Jean Garnier.


Nota:

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