Publicada em 19/02/2017 às 09:50

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Oscar 2017: Confira quem são os favoritos e aqueles que podem surpreender na grande festa do cinema!

 
Chegou a hora de estender o tapete vermelho para os maiores astros e estrelas desfilarem na grande noite do cinema! No domingo (26/02), a celebração da 89ª edição do Oscar acontece, prometendo pompa, emoção e quem sabe até algumas surpresas.
 
As duas últimas edições do Oscar geraram polêmica em função da ausência de indicações a artistas negros. Isso culminou com os protestos por meio da hashtag #OscarSoWhite (“Oscar tão branco”) e a resposta veio nessa edição com mais de 15 negros indicados, um recorde para a premiação.
 
 
Além da diversidade, a festa desse ano tem tudo para ser bem politizada, com apresentadores e vencedores fazendo discursos de ataque ao presidente americano recém-eleito Donald Trump.
 
O diretor iraniano Asghar Farhadi, que venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pelo fantástico A Separação (2011), decidiu boicotar a premiação de 2017, mesmo que seu visto seja aceito após Trump proibir a entrada de cidadãos de sete países predominantemente muçulmanos.
 
Neste Oscar, quem lidera a briga pela estatueta é o musical La La Land - Cantando Estações, com 14 indicações, se igualando aos filmes A Malvada (1959) e Titanic (1997). A produção, que faz um belo tributo aos musicais e à cidade de Los Angeles, promete sair com vários homenzinhos dourados em mãos.
 
A edição 2017 se rendeu novamente às produções independentes após filmes de grande orçamento serem indicados no ano passado: O Regresso e Mad Max: Estrada da Fúria. Vale a pena observar a ironia do colégio eleitoral do Oscar, que comumente fecha os olhos para blockbusters. 
 
 
As grandes produções que Hollywood se especializou em fazer tão bem costumam ficar de fora da maior premiação do cinema. O longa de super-herói Deadpool tinha grande e merecida chance de figurar na lista de Melhor Filme e acabou ficando de fora.
 
A maioria das produções indicada ao Oscar desta edição são dramas bem intimistas, existencialistas e tendo como mensagem a aceitação de si mesmo e a dos outros e seus defeitos, como visto em Moonlight - Sob a Luz do LuarManchester à Beira-MarUm Limite Entre NósToni Erdmann e Um Homem Chamado Ove.
 
 
O Cinema10 preparou para você uma análise dos favoritos à estatueta e ainda daqueles que podem surpreender ao ouvirem a frase mágica: “E o Oscar vai para...”.
 
Aproveite para participar do nosso Bolão Oscar 2017 e conferir em tempo real, todos os detalhes dos vencedores da premiação!
 

Melhor Filme

A Chegada (8 indicações)
A Qualquer Custo (4 indicações)
Até o Último Homem (6 indicações)
Estrelas Além do Tempo (3 indicações)
Lion - Uma Jornada para Casa (6 indicações)
Manchester à Beira-Mar (6 indicações)
Um Limite Entre Nós (4 indicações)
 
Favorito: La La Land - Cantando Estações
 
 
Dificilmente esse prêmio escapa das mãos de La La Land - Cantando Estações. O musical encantador venceu mais de 150 prêmios e conta a história de amor entre Sebastian (Ryan Gosling), um purista pianista de jazz, e Mia (Emma Stone), uma aspirante a atriz. Os dois tentam vencer na bela, competitiva e muitas vezes cruel cidade dos sonhos: Los Angeles.
 
A produção se inspira em musicais consagrados e vencedores do Oscar como Sinfonia de Paris (1951) e Amor, Sublime Amor (1961), com referências saborosas. Muita gente torce o nariz para o gênero e o Oscar premia principalmente dramas e épicos. Nessa concorrência, o musical já se sagrou campeão no Oscar nove vezes. Chicago (2002) foi o último a vencer o prêmio de Melhor Filme.
 
La La Land mistura habilmente os números musicais com a narrativa e se apoia nas cores, técnicas de sobreposições e muitos planos-sequências incríveis. É um filme completo que reúne todos os elementos dignos de um vencedor do Oscar.
 
 
Quem pode surpreender: Moonlight - Sob a Luz do Luar
 
 
Na disputa, o concorrente que pode roubar a festa de La La Land é Moonlight - Sob a Luz do Luar. Isso deixaria claro que os votantes dos Oscar estão dispostos a deixar as polêmicas de lado após a campanha #OscarSoWhite.
 
A produção delicada é dividida em três partes para mostrar a evolução de Chiron. Na infância e adolescência ele enfrenta a pobreza, o vício da mãe em crack e o bullying na escola. O jovem é extremamente introvertido e tudo o que enfrentou nesses anos é determinante para sua vida adulta.
 

Melhor Diretor

 
Nessa categoria, Mel Gibson venceu por Coração Valente (1995). Kenneth Lonergan faz sua estreia após ser indicado pelos roteiros de Conte Comigo (2000) e Gangues de Nova York (2002). Os outros três concorrentes também disputam o prêmio pela primeira vez: Barry Jenkins, Damien Chazelle e Dennis Villeneuve.
 
Favorito: Damien Chazelle
 
 
Antes de La La Land, Damien Chazelle fez outros dois longas sobre sua grande paixão, o jazz: Guy and Madeline on a Park Bench (2009) e Whiplash: Em Busca da Perfeição (2014). Numa entrevista, Chazelle tinha dito que gosta de um set de filmagens tranquilo e deixar a equipe “livre para experimentar novas coisas em suas funções”. 
 
Em La La Land, o cineasta coloca a apaixonante dupla Ryan Gosling e Emma Stone para cantar, dançar e encantar o público. Chazelle segue a cartilha do musical, explorando os grandes cenários, o colorido e truques de fotografia para mostrar uma das grandes funções do cinema: fazer o espectador entrar num mundo fantástico e escapar da realidade para sonhar.
 
 
Quem pode surpreender: Barry Jenkins
 
 
Barry Jenkins é o quarto diretor negro a ser indicado ao Oscar e se faturar a estatueta será o primeiro a vencer na categoria. Seu trabalho em Moonlight - Sob a Luz do Luar está calcado na direção dos atores: um mais espetacular que o outro em cena. 
 
Jenkins trabalha figuras tão conhecidas no cinema: jovem negro, mãe viciada em drogas e um traficante, de um jeito muito humano e explora temas como sexualidade, preconceito e violência de forma sensível e ao mesmo tempo poderosa.
 

Melhor Ator

 
Dos cinco indicados, Andrew Garfield faz sua estreia no Oscar. Casey Affleck concorreu na categoria Ator Coadjuvante por O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford (2007). 
 
Ryan Gosling disputou o prêmio de Melhor Ator por Half Nelson - Encurralados (2006) e Viggo Mortensen por Senhores do Crime (2007). Já Denzel Washington acumula 4 indicações e dois Oscar por Tempo de Glória (1989) e Dia de Treinamento (2001).
 
Favorito: Casey Affleck
 
 
O trabalho de Casey Affleck em Manchester à Beira-Mar é simplesmente avassalador. Ele interpreta o zelador apático Lee, cujo irmão morre e deixa a guarda do filho adolescente para ele.
 
As situações mostradas no filme não são explicadas de forma fácil, levando o espectador a acompanhar a jornada silenciosa de sofrimento de Lee, um homem que cometeu muitos erros e tem de lidar com as dolorosas consequências diariamente.
 
Mas na disputa pelo Oscar, Affleck tem pela frente um problema pessoal que pode atrapalhar sua chance de subir ao palco para receber o prêmio. O ator enfrenta dois processos por assediar sexualmente mulheres da equipe do documentário que dirigiu: Eu Ainda Estou Aqui (2010).
 
A dúvida é se os votantes da Academia vão levar isso em conta na hora de dar o prêmio. Tomara que a arte fale mais alto, pois o trabalho de Affleck é irretocável.
 
 
Quem pode surpreender: Denzel Washington
 
 
Denzel Washington é um ator muito querido pela comunidade de Hollywood e foi correndo por fora na disputa, superando outro queridinho ao prêmio: Ryan Gosling. Em Um Limite Entre Nós, que estreia no Brasil em 2 de março, ele vive o coletor de lixo Troy, um homem falastrão que sempre reclama da vida. 
 
O filme é baseado na peça Fences, estrelada pelo próprio Washington, que reprisa o papel do homem rígido e implacável e incapaz de reconhecer seus erros. Esse trabalho forte já havia lhe valido o grande prêmio do teatro, o Tony.
 
Na premiação do Sindicato dos Atores (SAG), Washington faturou o troféu de Melhor Ator, aumentando as chances de receber seu terceiro Oscar.
 

Melhor Atriz

 
No time feminino aparecem na corrida pela estatueta a queridinha Emma Stone, indicada anteriormente por Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (2014). Natalie Portman faturou o Oscar por Cisne Negro (2010).
 
As estreantes da vez são a francesa Isabelle Huppert e a etíope Ruth Negga. Meryl Streep recebeu sua 20ª nomeação e ainda venceu 3 vezes. Nessa edição, ela poderia ficar de fora e dar lugar aos interessantes trabalhos de Taraji P. Henson em Estrelas Além do Tempo ou de Amy Adams em A Chegada.
 
Favorita: Emma Stone
 
 
Com certeza a categoria mais fácil de se acertar é a de Melhor Atriz. Esse ano, Emma Stone vai levar o Oscar! Seu trabalho no musical La La Land - Cantando Estações é admirável. O musical é ancorado no lado cômico de Ryan Gosling e no dramático de Stone. Com isso, a atriz foi acumulando diversos prêmios na temporada.
 
Stone dá vida à sonhadora Mia, que luta para conseguir um trabalho como atriz. Há uma cena muito boa em que a personagem está fazendo um teste e no meio de toda a carga dramática do momento é interrompida por uma secretária. A estrela ainda arrasa nas cenas de dança e canto, revelando toda sua graciosidade.
 
 
Quem pode surpreender: Ruth Negga
 
 
Isabelle Huppert venceu vários prêmios por Elle e muitos acreditavam que após faturar o Globo de Ouro ela despontaria como favorita ao Oscar. Mas na tradição dessa premiação, dificilmente um ator indicado por um filme estrangeiro vence o Oscar.
 
Nossa Fernanda Montenegro já tentou com Central do Brasil (1998) e a última a conseguir o prêmio foi Marion Cotillard pelo francês Piaf: Um Hino ao Amor (2007).
 
A atriz Ruth Negga é a única negra nesta categoria e seu importante trabalho, interpretando uma personagem real que luta contra o preconceito, lhe dá chances de atrapalhar a festa de Emma Stone.
 
No drama Loving, ainda inédito no Brasil, Negga dá vida à Mildred, uma mulher bondosa e que ama muito o seu marido, um homem branco. Os dois moram na Virgínia e o casamento entre pessoas de raças diferentes é proibido, transformando Mildred numa figura importante na história quando batalha para manter o seu amor longe do preconceito.
 

Melhor Ator Coadjuvante

 
Jeff Bridges é o veterano da lista com 5 indicações e 1 Oscar de Melhor Ator por Coração Louco (2009). Michael Shannon recebeu indicação de Ator Coadjuvante por Foi Apenas um Sonho (2008). Já os outros três concorrentes: Dev Patel, Lucas Hedges e Mahershala Ali fazem suas estreias no Oscar.
 
Favorito: Mahershala Ali
 
 
Mahershala Ali despontou com seu trabalho na série House of Cards para depois roubar a cena na pele do vilão Boca de Algodão no seriado Luke Cage. Agora, Ali é o grande favorito ao Oscar por Moonlight - Sob a Luz do Luar. Ele faz uma participação pequena na primeira parte do filme, mas seu papel tem muita importância na trama. 
 
Ali vive Juan, um traficante que se torna figura paterna para o menino Chiron.  É ele quem dá um conselho que vai acompanhar o garoto para o resto da vida: “Chega um momento em que você precisa decidir quem você é... Ninguém pode tomar essa decisão por você.”
 
 
Quem pode surpreender: Dev Patel
 
 
O inglês e filho de quenianos Dev Patel surgiu como um dos favoritos no final da corrida ao Oscar quando venceu o BAFTA. Ele interpreta um personagem real no emocionante Lion - Uma Jornada para Casa. 
 
Na infância, Saroo (Patel) se perdeu do irmão e foi parar em Calcutá. Ele é adotado, se muda para a Austrália e quando está na faculdade, o jovem decide ir atrás de sua antiga família.
 

Melhor Atriz Coadjuvante

 
Da lista, apenas a Bond girl Naomie Harris estreia no Oscar. Michelle Williams acumula 3 indicações e Viola Davis, duas. Octavia Spencer venceu por Histórias Cruzadas (2011) e Nicole Kidman já teve duas indicações e faturou a estatueta de Melhor Atriz por As Horas (2002).
 
Favorita: Viola Davis
 
 
Viola Davis quase levou o Oscar por Histórias Cruzadas (2011), tendo perdido para a amiga Meryl Streep e sua atuação em A Dama de Ferro (2011). Agora, chegou a vez de Davis subir ao palco para receber a estatueta por seu trabalho no drama Um Limite Entre Nós. Ela já havia recebido o prêmio Tony de teatro pelo mesmo papel na peça Fences.
 
No filme, Davis é Rose, uma dona de casa zelosa e que sempre depositou seus sentimentos, desejos e sonhos no marido, até o dia que ele a decepciona profundamente.
 
 
Quem pode surpreender: Michelle Williams
 
 
Michelle Williams saiu da série Dawson's Creek para emplacar ótimos trabalhos no cinema. Tanto que já foi indicada ao Oscar três vezes com destaque para sua atuação em O Segredo de Brokeback Mountain (2005).
 
Em Manchester À Beira-Mar, Williams aparece bem pouco, na pele de Randi, ex-mulher de Lee (Casey Affleck). O relacionamento dos dois sucumbe aos problemas que enfrentam e a cena do reencontro dos dois e de uma tremenda força de atuação.
 

Melhor Animação

 
Favorita: Zootopia - Essa Cidade é o Bicho
 
 
Difícil a Disney errar quando o assunto é animação. Por isso, o estúdio deve faturar mais um Oscar para sua prateleira com o divertido Zootopia - Essa Cidade é o Bicho. A produção, que faturou US$ 1 bilhão, mundialmente, conta a história de bravura de uma coelhinha que sonha em ser policial numa cidade em que animais predadores e presas vivem harmoniosamente até o dia em que essa paz é interrompida misteriosamente. 
 
 
Quem pode surpreender: Kubo e as Cordas Mágicas
 
 
O estúdio Laika tem um ótimo catálogo de animações e retorna ao Oscar após Os Boxtrolls (2014). Kubo e as Cordas Mágicas é um  grande trabalho, que alia computação gráfica com a técnica stop-motion, aquela em as cenas são formadas por uma sequência de fotografias do mesmo objeto, que se movimenta levemente a cada quadro.
 
Imagine usar essa técnica trabalhosa e artesanal para fazer um filme de aventura? O resultado é Kubo, que acompanha o personagem-título, um contador de histórias que busca respostas para o seu passado. Ele embarca numa jornada de sobrevivência quando precisa se proteger de ameaças sobrenaturais com a armadura mágica de seu pai.
 

Melhor Filme Estrangeiro

 
Favorito: Toni Erdmann
 
 
Essa comédia alemã chama atenção por fugir do comum. Ela conta a história do idoso Winfried, que tenta se aproximar da filha workaholic, Ines, usando o disfarce de Toni Erdmann, um conselheiro que usa peruca e uma dentadura horrenda. 
 
Ines é uma mulher prática, avessa ao sentimentalismo e que aos poucos vai se rendendo às investidas de aproximação do pai. Mas para isso, ela paga um preço alto, se envolvendo em situações constrangedoras, rendendo momentos hilários como a parte final do filme, que é quase surreal. Toda essa jornada é para fazer Ines e o público se questionarem pelo o que vale a pena ser feliz.
 
 
Quem pode surpreender: O Apartamento
 
 
Esse drama iraniano acabou ganhando força na competição após o presidente Donald Trump proibir a entrada de cidadãos de sete países, entre eles o Irã. Caso O Apartamento vença, será uma resposta a ditadura que o presidente vem demonstrando em seu governo.
 
O diretor Asghar Farhadi já havia vencido o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por A Separação (2011), que de fato é muito melhor que O Apartamento. O longa mostra um casal que se muda para um novo apartamento por conta de uma ameaça de desabamento.
 
Porém, o novo lar transforma completamente o relacionamento do casal e o comportamento do marido, quando a mulher é atacada violentamente.
 

Melhor Roteiro Original

 
Favorito: La La Land - Cantando Estações
 
 
Na tradição do Oscar, o filme que vence o prêmio de Melhor Filme obrigatoriamente fatura o de Melhor Roteiro. Nesse caso então, La La Land dificilmente perderá a estatueta. 
 
A trama foi escrita pelo diretor do longa, Damien Chazelle, que enreda muito bem os números musicais com a narrativa da história, balanceando a saga do casal, vivido por Ryan Gosling e Emma Stone, com humor e drama, rendendo diálogos muito bons, como os de Sebastian na sua defesa do jazz de raiz.
 
 
Quem pode surpreender: O Lagosta
 
 
Se os votantes da Academia levarem em conta o quesito originalidade de roteiro, O Lagosta faturaria o prêmio com toda certeza. A comédia única e estranha mostra um mundo em que é proibido ser solteiro, abrindo espaço para a discussão de temas como solidão, narcisismo e convenções sociais.
 
Na trama, David (Colin Farrell) acabou de se divorciar e é obrigado a ir para um hotel onde tem 45 dias para encontrar sua cara-metade, caso contrário, será transformado num animal. No caso de David, ele escolhe ser uma lagosta. Mas isso é apenas uma pequena parte de uma história cheia de situações curiosas.
 

Melhor Roteiro Adaptado

A Chegada  (baseado no conto Story of Your Life, de Ted Chiang)
Estrelas Além do Tempo (adaptação do livro Hidden Figures, de Margot Lee Shetterly)
Lion - Uma Jornada para Casa (inspirado no livro de memórias Lion - A Long Way Home, de Saroo Brierley)
Moonlight - Sob a Luz do Luar (baseado na peça In Moonlight Black Boys Look Blue)
Um Limite Entre Nós  (adaptação da peça Fences)
 
Favorito: Moonlight - Sob a Luz do Luar
 
 
A roteiro é baseado na peça In Moonlight Black Boys Look Blue, de Tarell Alvin McCraney, que acabou nunca sendo encenada. O diretor Barry Jenkins adaptou a história sobre preconceito, identidade sexual e masculinidade. 
 
A peça segue a estrutura de narrativa não-linear, com o uso de flashback, mostrando Chiron adulto e relembrando o que viveu na infância e na adolescência. Já o filme se divide em três partes para mostrar a evolução de Chiron entre infância, adolescência e fase adulta. Vencendo esse Oscar, Moonlight briga de perto com La La Land pela estatueta de Melhor Filme.
 
 
Quem pode surpreender: Lion - Uma Jornada para Casa
 
 
A produção é baseada no livro Lion - A Long Way Home, de Saroo Brierley, que é o personagem do drama. O roteiro se apega as memórias de Saroo, um garoto que se perdeu do irmão aos 5 anos e quando adulto, vivendo num novo país, decide ir atrás da sua antiga família, recorrendo ao Google Earth.
 
O roteirista Luke Davies já faturou o BAFTA de Melhor Roteiro Adaptado e em entrevista ao site IndieWire, ele disse que o desafio foi transformar uma história simples num filme emocionante. “As emoções básicas e a estrutura dos elementos da história são míticos.” 
 

Melhor Edição

 
Favorito: La La Land - Cantando Estações
 
 
Outro prêmio difícil de escapar do musical é o de Edição. O montador Tom Cross já havia faturado a estatueta por Whiplash: Em Busca da Perfeição (2014), também dirigido por Damien Chazelle
 
Vale a pena prestar atenção no trabalho fantástico de Cross em La La Land, marcado pela montagem rítmica. Cross une os vários planos-sequências com cortes rápidos para mostrar a transição de tempo e também recorre às sobreposições de imagens.
 
Há também o uso de técnicas como o “whip pan” (técnica do chicote), que tem várias funções, como dar ritmo para ação. No caso de La La Land, esse recurso aparece quando Sebastian (Ryan Gosling) toca num clube de jazz e a cena é alternada para Mia (Emma Stone), dançando animadamente.
 
 
Quem pode surpreender: A Chegada
 
 
Assim como La La Land, a ficção científica A Chegada abocanhou o prêmio do sindicato dos editores, o que lhe dá alguma chance de faturar o Oscar. O trabalho de Joe Walker, indicado por 12 Anos de Escravidão (2013), é montar um filme cheio de idas e vindas no tempo e diferentes dimensões. 
 
Ele une as tramas paralelas que mostram a linguista Louise (Amy Adams) e sua tentativa de se comunicar com alienígenas, a sua jornada interior e também os conflitos ao redor do mundo por causa da chegada dos óvnis.
 

Melhor Fotografia

 
Favorito: La La Land - Cantando Estações
 
 
O diretor de fotografia sempre atua bem próximo do cineasta. Seu trabalho consiste na escolha de lentes e filtros que serão usados para cada cena e também posicionamento de câmera e enquadramentos.
 
La La Land foi rodado em CinemaScope, que deixa uma imagem duas vezes maior que as filmadas por lentes convencionais. O longa é simplesmente um show de direção de fotografia, assinado por Linus Sandgren, de Trapaça (2013). 
 
Esse é outro quesito técnico que vale a pena ser observado com atenção. Ele tem um ritmo frenético, os movimentos de câmera são sensacionais, com o uso de traveling. A câmera se torna integrante dos números musicais e as lentes captam belos finais de tarde e o anoitecer de Los Angeles.
 
 
Quem pode surpreender: Lion - Uma Jornada para Casa
 
 
Lion venceu o prêmio do sindicato, se tornando o principal concorrente de La La Land. O diretor de fotografia Greig Fraser, de Rogue One: Uma História Star Wars, optou por movimentações de câmera e enquadramentos pouco usuais. 
 
Como o filme retrata a jornada de um menino de 5 anos, Fraser colocou a câmera na altura da criança para mostrar o ponto de vista dela. Para isso, a equipe teve de adaptar as câmeras e os equipamentos. 
 
No quesito cor, o diretor de fotografia optou em explorar o tom ocre para a parte do filme passada na Índia. Os tons de azul surgem na fase em que o menino Saroo, já crescido, vive em Hobart, capital da ilha da Tasmânia.
 

Melhor Design de Produção

 
Favorito: La La Land - Cantando Estações
 
 
Esse é mais um prêmio que deve ir para o musical. O design de produção foi assinado por David Wasco, que trabalhou em vários longas de Quentin Tarantino, como Bastardos Inglórios (2009). 
 
O filme é calcado em referências a outros longas e o cenário se inspirou em títulos como O Segredo Íntimo de Lola (1969), passado em Los Angeles. La La Land foi filmado em locações reais de L.A., como o Observatório Griffith Park, o píer de Hermosa Beach e o histórico clube de jazz Lighthouse Cafe. 
 
O desafio foi transformar lugares reais no mundo colorido e lúdico do filme, que se passa nos dias atuais, mas tem um ar retrô nos itens de cenografia. Outro aspecto são as cores amarelo, azul, vermelho e verde serem muito importantes para a composição de objetos e cenários.
 
 
Quem pode surpreender: Animais Fantásticos e Onde Habitam
 
 
A Nova York dos anos 20 é criada na fantasia Animais Fantásticos e Onde Habitam, spin-off de Harry Potter. O trabalho foi feito pelos tarimbados Stuart Craig, vencedor de 3 Oscar e que assinou o design de vários filmes da franquia Harry Potter; e Anna Pinnock, que faturou a estatueta por O Grande Hotel Budapeste (2014).
 
Os sets foram construídos num estúdio no Reino Unido e a arquitetura tem estilo gótico. Há cenários cheios de detalhes como o do Congresso Mágico e do bar Blind Pig, isso sem contar o universo da pasta de Newt Scamander (Eddie Redmayne), que serve de moradia para os animais fantásticos do título.
 

Melhor Figurino

 
Favorito: Jackie
 
 
Madeline Fontaine, de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001) e Yves Saint Laurent (2014) assina o maravilhoso figurino do filme. Jackie Kennedy foi um ícone da moda e a recriação do seu guarda-roupa impressiona em cena pela semelhança, mas também por incluir pequenos detalhes, agregando riqueza às peças.
 
O figurino é um item importante para a trama, que mostra o assassinato do presidente John F. Kennedy pelo ponto de vista da esposa, interpretada por Natalie Portman. Dentre as variadas peças usadas, duas são importantes: o terninho vermelho de lã quando Jackie apresenta a Casa Branca para um programa de TV. O outro é o terninho e o chapéu Pillbox nas cores rosa, que a primeira-dama usou no dia da morte do marido.
 
 
Quem pode surpreender: La La Land - Cantando Estações
 
 
Dependendo da quantidade de estatuetas que a produção vai faturar, o de figurino pode entrar no embalo. Esse é um quesito que não chega a surpreender no filme, com peças bem simples da moda contemporânea.
 
O que chama a atenção são as cores. No começo da história, a personagem de Emma Stone usa tons fortes como azul, amarelo e verde e seu guarda-roupa vai ganhando tonalidades mais amenas à medida em que ela vai evoluindo em meio às dificuldades.
 

Melhores Efeitos Visuais

 
Favorito: Mogli - O Menino Lobo
 
 
A produção conquistou prêmios importantes da categoria e por isso deve levar o Oscar. O filme traz animais criados por computação que interagem perfeitamente com um menino de carne e osso. Daí a magia por trás de Mogli. Há ainda um trabalho extenso na criação de detalhes da selva e a mudança de estações.
 
 
Quem pode surpreender: Kubo e as Cordas Mágicas
 
 
Kubo e as Cordas Mágicas conseguiu um feito incrível no qual além de ser indicado a Melhor Animação, conquistou uma vaga também na categoria Efeitos Visuais. Anteriormente, a animação O Estranho Mundo de Jack (1993) havia sido indicada nessa categoria. 
 
O filme conta com um trabalho visual inacreditável no qual mistura a técnica artesanal do stop-motion com os efeitos criados por computador, o que é suficiente para roubar a cena de Mogli.
 
 
Quem pode surpreender: Doutor Estranho
 
 
Outro filme que tem chances de faturar esse Oscar é Doutor Estranho com seus efeitos embasbacantes. Prédios e ruas se curvam e se desmembram, personagens mudam de níveis de realidade, transformando o filme numa experiência vertiginosa.
 

Melhor Edição de Som

 
Favorito: A Chegada
 
 
Provavelmente o único Oscar que A Chegada deve abocanhar é o de Edição de Som. Essa categoria é dedicada a arte na criação de sons e efeitos.
 
No caso de A Chegada o destaque fica por conta dos alienígenas, que se comunicam por meio de uma linguagem visual em forma de círculos. Mas os barulhos que eles emitem, que é uma mistura de sons de pássaros, animais e vozes, intrigam e aumentam a aura de mistério. 
 
 
Quem pode surpreender: Até o Último Homem
 
 
Filmes barulhentos costumam se dar bem no Oscar. Por isso Até o Último Homem tem chances de faturar o prêmio ao recriar o frenesi da tomada da Escarpa Maeda na Batalha de Okinawa.
 
Rajadas de tiros e morteiros explosivos se misturam nas cenas de combate. Um dispositivo chamado “caixa de bomba” foi criado pela equipe de efeitos visuais que permitiu ruídos mais potentes nas sequências de explosões.
 

Melhor Mixagem de Som

 
Favorito: La La Land - Cantando Estações
 
 
No trabalho de mixagem, os sons criados pelo departamento de edição são colocados nas cenas juntamente com o que foi captado no set de filmagem. E nesse quesito, La La Land tem muita vantagem na disputa pela estatueta. 
 
O trabalho no filme foi orquestrar músicas, barulhos do dia a dia como carros no trânsito, salto alto até utensílios de cozinha do café onde Mia (Emma Stone) trabalha. Pode parecer simples, mas ao ver o filme preste atenção na junção de todos esses sons.
 
 
Quem pode surpreender: A Chegada
 
 
A mixagem de som de A Chegada consiste em unir os sons criados para os alienígenas heptapods com outros ruídos de cena. Como a produção é favorita na categoria Edição de Som, as chances para o prêmio de Melhor Mixagem aumentam.
 

Melhor Cabelo e Maquiagem

 
Favorito: Star Trek: Sem Fronteiras
 
 
O maior barato nos filmes da franquia Star Trek é o visual dos alienígenas. Um dos responsáveis por toda essa mágica, Joel Harlow, já venceu o Oscar pelo reboot Star Trek (2009). 
 
O designer de efeitos em maquiagem teve a ideia de criar nada menos que 50 raças alienígenas para Star Trek: Sem Fronteiras. Entre esses seres está Jaylah (Sofia Boutella). A atriz passava horas na cadeira do maquiador para ficar com aquele visual com traços pretos no rosto e o cabelo trançado.
 
 
 
Quem pode surpreender: Esquadrão Suicida
 
 
Outro trabalho interessante de Cabelo e Maquiagem é o de Esquadrão Suicida. A equipe de designers ficou responsável por criar o visual dos personagens com base na história em quadrinhos. Nessa composição se destacam os anti-heróis Crocodilo, Diablo, Coringa e Arlequina, além da vilã da trama: Magia.
 

Melhor Trilha Sonora

 
Favorito: La La Land - Cantando Estações
 
 
Difícil um musical não vencer o prêmio de Trilha Sonora não é mesmo? La La Land leva esse prêmio facilmente graças ao trabalho gracioso de Justin Hurwitz, que trabalhou com o diretor Damien Chazelle em Whiplash: Em Busca da Perfeição (2014).
 
A trilha é leve, alegre, contagiante e leva o espectador a entrar no clima nostálgico e retrô da trama ao som de muito piano, bateria e trompete.
 
 
Quem pode surpreender: Moonlight - Sob a Luz do Luar
 
 
Mudando o ritmo está outra maravilosa trilha sonora, o de Moonlight - Sob a Luz do Luar. O violino é o instrumento mais explorado com notas aflitas e melancólicas, casando muito bem como o turbilhão de emoções preso em Chiron, um jovem que pouco se expressa.
 

Melhor Canção Original

Favorito: "City of Stars", de Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul - La La Land - Cantando Estações

“Cidade das estrelas você está brilhando só pra mim?”. Com esse verso, Sebastian (Ryan Gosling) canta no píer de Hermosa Beach.
 
A música é singela, mas igualmente apaixonante, que expressa muito bem os anseios, sonhos e decepções que as pessoas encontram na cidade dos sonhos que é Los Angeles, mas que no filme se torna a cidade das estrelas. 
 
Os fãs não vão ver Gosling no palco do Oscar para fazer sua performance de “City of Stars”. Ele acabou sendo substituído por seu colega de cena John Legend, que faturou a estatueta pela poderosa canção “Glory", de Selma: Uma Luta Pela Igualdade (2014), fazendo na cerimônia uma das apresentações mais emocionantes do Oscar.
 
 
Quem pode surpreender: “Audition (The Fools who Dream)", de Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul - La La Land - Cantando Estações
 
John Legend também vai subir ao palco para apresentar “Audition (The Fools who Dream)", que em La La Land é cantada por Emma Stone. A delicada música fala de um “brinde àqueles que sonham... por mais tolos que possam parecer”. 
 
 

"Can't Stop the Feeling”, de Justin Timberlake, Max Martin e Karl Johan Schuster - Trolls

"How Far I'll Go", de Lin-Manuel Miranda - Moana - Um Mar de Aventuras

"The Empty Chair", de J. Ralph e Sting - Jim: The James Foley Story

Melhor Documentário

 
Favorito: O.J. Made in America
 
 
A produção de 7 horas e 47 minutos foi exibida no Brasil em cinco partes pelo canal pago ESPN e está disponível pelo site e aplicativo Watch ESPN. O documentário mostra como os Estados Unidos ainda é fascinado pelo julgamento do ex-jogador de futebol americano e ator O.J. Simpson, que recentemente virou tema da 1ª temporada da série American Crime Story.
 
Ao longo das quase oito horas, O.J. Made in America mostra o conto americano da vida de Simpson, revelando detalhes do julgamento de 8 meses que o inocentou. Mas o filme vai muito além disso, tecendo uma análise sobre a forma como os negros são tratados nos Estados Unidos.
 
Além disso, aborda o peso de um negro ser declarado inocente, quando na maioria das vezes os que cometem crimes menores são condenados.
 
O.J. Made in America faturou diversos prêmios de Melhor Documentário e também de Edição. Se vencer, ele será o filme mais longo a receber a estatueta depois de ...E o Vento Levou (1939) e suas 3 horas e 58 minutos de duração.
 
 
Quem pode surpreender: Eu Não Sou Seu Negro
 
 
A questão racial veio forte na categoria de Melhor Documentário. Além de O.J. Made in America e A 13ª Emenda (disponível na Netflix), também concorre Eu Não Sou Seu Negro. 
 
Essa última produção tem chances de desbancar o favorito ao enfiar o dedo na ferida do preconceito vivido por negros nos Estados Unidos.
 
O documentário analisa o significado de ser negro no país, a vergonha que foi a segregação, a luta pelos direitos civis e propõe a reflexão em cima de tanto ódio e violência gerados por causa da cor da pele.
 

Melhor Documentário de Curta-Metragem

4.1 Miles
Joe's Violin
Watani: My Homeland
 
Favorito: Os Capacetes Brancos
 
 
Como a edição do Oscar deste ano promete ser bem politizada, o documentário Os Capacetes Brancos, disponível na Netflix, se tornou favorito ao prêmio. A produção mostra o trabalho valente de um grupo de voluntários que se arrisca todos os dias pelas ruas de Alepo, na Síria para resgatar vítimas.
 
O grupo Estado Islâmico e aviões russos fazem frequentes bombardeios em Alepo e em outras cidades do país. Esses voluntários são conhecidos como Capacetes Brancos e para eles se arriscarem não é um dever humanitário e sim um trabalho sagrado. Resta saber se os personagens desse documentário vão pisar no tapete do Oscar, depois de Donald Trump banir cidadãos de sete países, incluindo a Síria.
 
 
Quem pode surpreender: Extremis
 
 
Outro documentário produzido pela Netflix tem chances de faturar o Oscar. Extremis é um trabalho bem delicado para tratar de um tema difícil para muitas pessoas: a morte. Ele acompanha o dia a dia de uma médica, que tem de conversar com os pacientes e seus parentes para decidir quando alguém deve morrer ou ser mantido vivo por aparelhos.
 

Melhor Curta-Metragem

Ennemis Intérieurs
La Femme et le TGV
Silent Nights
Sing
Timecode
 
Favorito: Timecode
 
 
O curta mostra um homem e uma mulher que trabalham como seguranças de uma empresa e se observam por meio das câmeras de monitoramento. A crítica americana tem destacado a trama inusitada e as surpresas que vão acontecendo. Por causa dessa originalidade, Timecode foi ganhando espaço na competição e virou favorito.
 

Melhor Curta-Metragem de Animação

Blind Vaysha
Borrewed Time
Pear Cider and Cigarettes
Pearl
 
Favorito: Pearl
 
 
A produção de 5 minutos foi realizada com a técnica de realidade virtual e está disponível no YouTube pelo canal Google Spotlight Stories. Este é o primeiro curta de animação feito com realidade virtual a ser indicado ao Oscar. Ele se passa todo dentro de um carro, acompanhando a viagem de um pai e sua filha.
 
O filme é em 360 graus, dando ao espectador a opção de escolha do que quer ver a bordo do assento do carona. É uma viagem que vale a pena fazer!
 
 
Por Vanessa Wohnrath

 


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